Estou a esse tempo de encerrar tudo
estou sem tempo
estou fora do meu tempo
estou a tempo de mudar
estou sendo outra. Agora quero ser eu. mesmo sabendo que eu é ilusão
pelo menos quero uma ilusão menos ilusória, com mais gosto de verdade.
será que vou conseguir deixar de ser outra coisa que não seja eu? E os outros?
e as dúvidas eternas?
e as cobranças?
e?
passei um ano sendo algo que julguei necessário para que no futuro eu possa ser melhor
quero virar este virando o jogo
sendo algo melhor porque é mais necessário
21/12. Data palíndromo, data limite. Que eu seja, enfim.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
sábado, 5 de dezembro de 2009
quem?
ARRUMANDO A CASA
Esse último semestre foi tenso.
até o encontro da Escola em Caucaia, a coisa ia corrida, mas proporcionada. Acho que os estudos davam a pitada que faltava pra gente aguentar de pé o tranco do momento.
resolvemos construir uma casa, encarando tudo o que envolvia essa escolha: tensões com pedreiros e etc, falta de $, imprevistos, barulho, sujeira. A construção de um lar, de uma casa que pudesse abrigar nossa família, amigos e sonhos, cercada de verde e amor, era nosso motor. Ainda é, na verdade.
no meio disso tudo, a gravidez. Uma bênção do momento, num momento tão difícil. Por causa dela, do Gabriel, tive dispensa das aulas da ESPM. Incrível, um dos presentes do semestre. O que já me faz ver que essas aulas não são parte do pacote "o que eu quero ser quando crescer".
De setembro pra cá, o ano pesou. Pesou o fato do Dja ter sido demitido, a gente com dívidas e obra começada. No fundo, foi bom. Ele pegou o filme, tem mais a ver com que quer da vida, com o caminho da felicidade dele. E conhecendo como as coisas funcionam, é bem provável que essas filmagens confrontassem com as aulas, e isso seria motivo de contradição.
Dizem que nada vem por acaso, e esse ano tá assim. nos últimos dias, eu andava com uma agonia rara, um sono, tristeza, melancolia, falta de vontade, um horror. um clima terrível dentro da minha própria casa, a casa pra onde já me mudei mesmo com obras, a casa que deveria conter o sonho. Ainda bem, percebi a tempo que o problema não era a casa, mas o entorno, os problemas com a obra interminável e os problemas intermináveis dos pedreiros. No Movimento eu passei por isso várias vezes, essa dificuldade em me conectar com o outro sem me tornar a esponja dos problemas do outro. Várias vezes senti esse "peso", e gradualmente fui trabalhando essa minha culpa. O pedreiro sumiu, eu dei graças a Deus, agora, nesse exato momento, tem outro trabalhando e é como se a casa estivesse vazia. ainda bem.
Eu preciso aprender a ouvir mais os meus sinais sem passar por cima. Nesse ano, foi muita invasão, muita. a tristeza que eu sinto é a distância que estou de quem sou, a obrigatoriedade auto-imposta de ficar fazendo coisas que não quero porque "assim tem que ser". Na última massagem/encontro com a Vilma, quando eu desmoronei de chorar, ela me sugeriu que eu listasse tudo o que tenho feito, pra ver o que tem a ver com o que quero. Vou seguir o conselho.
AULAS ESPM
Gosto das aulas de Design. Adorei dar o curso de roteiro. O doc da Social gostei no começo, mas depois pesou demais. se fosse pra orientar os alunos, seria ótimo, mas fazer tudo sozinha com estrutura amadora é pesado. As aulas de comunicação eu faço por $, e só. Graças aus guias, essa despensa aconteceu.
REFORMA
Não aguento mais nada. só quero ver pronto. mas ok, isso é provisório.
MATERNIDADE
Tem me gerado sérias contradições. eu me cobro muito. percebi que minha mãe é um anti-modelo, porque tenho completo pavor de me ver seguindo as escolhas dela - viver para os filhos, pra casa, pro "marido". Eu até acho que ela é feliz assim, era esse o devaneio dela. Mas eu nunca seria. Se eu larguei a casa pra vir pra SP, o que me move é outra coisa.
Esse é um ponto extremamente delicado agora, justo quando a casa, gravidez, filhos, pedem essa atenção. Eu me cobro de brincar e sair mais com o Pedro, sinto culpa de ver ele tão sozinho, mesmo brincando. Não acho justo, mas tb não consigo brincar por obrigação, aí já seria demais.
Tenho que descobrir um modelo novo, onde eu tenha mobilidade sem culpa, mas também não desatenda. Uma boa medida é sempre colocar uma hora para cada coisa, e garantir que no tempo em que eu estiver longe que ele esteja bem, se divertindo, em boas mãos, essas coisas.
Por mais estranho que pareça, essa revisão agora é importante. Acho que a pergunta não é “será que eu quero ser mãe?”, pq eu já sou e quero. Talvez seja “que tipo de mãe eu quero ser?”Ou, quem é a Claudia-mãe? Pq não tem modelo.
Na verdade, a grande dificuldade tem sido a proporção. Como essa obra tem tomado um tempo desproporcional, o resto fica totalmente truncado, “do jeito que dá”, e com cansaço, o que não ajuda em nada.
MOVIMENTO HUMANISTA
ESCOLA
Tudo de bom, tudo a ver. Espero não me deparar com dilemas em relação ao Gabriel, tipo um retiro de 1 semana com ele tendo 1 mês. Espero mesmo! Isso já tem gerado uma tensão, pra falar a verdade.
A tensão vem da imobilidade. Tem uma resistência interna, relacionada ao medo de sair no mundo (apesar do profundo desejo de sair no mundo), e agora uma externa, a coisa de se mover com filhos pequenos. Não é uma imobilidade, mas é uma dificuldade.
Em relação à primeira, é incrível. Agora mesmo me encontro num dilema monstruoso, se vou ou não a Punta de Vacas. Não sei se por resistência ou ato falho, deixei de comprar a passagem a Mendoza quando ela ainda era viável, e não dá mais. Sondei uma rota por Santiago, mas a quantidade de dificuldades me fez não refazer a reserva. Pra falar a verdade, tudo o que eu queria era subir num avião, de lá num ôpnibus, e que alguém me levasse. Essa opção eu até tinha, mas perdi porque achei que seria muito trampo. Agora estou vendo uma possibilidade final, a de ir a BA, de lá a Rosario, de Rosario seguir com o pessoal. Talvez seja mais longa, mas mais acolhedora. Sei lá. E no meio de tudo, meu pai “pedindo” pra não ir, oferecendo as vantagens de ir pra Franca, pra casa, pro conhecido. Me lembrei de quando eu ficava chateada quando uma festa aparecia, porque sabia que teria que enfrentar uma batalha para ir ou até não ir. Num dado momento, passei a preferir que as festas não existissem. Agora estou de frente para mais uma festa e para a corrente de desafios para que eu possa participar. E isso já contaminando a alegria de ir, e agora eu sabendo que só dependia de mim, mas com essa resist6encia internalizada. E vendo os preparativos de quem vai, e querendo ir, e achando que não devo, e querendo ir, e com medo de ir e gerar problemas, e com vontade de ir e rever meus amigos, rever os momentos incríveis que sempre passo entre eles, que sempre passo entre viagens, e me achando covarde se eu não for, e sem forças pra pensar em esquemas, e pedindo para que alguma solução caia do céu, e sentindo a contradição da repetição de não estar bem em lugar nenhum.
Porque parte do que eu sou está nesse conjunto, e nessas viagens já vivi alguns dos melhores momentos da minha vida. E ir prum SPA, pra Franca, pra onde for, nunca será a mesma coisa. E o medo de atropelar as coisas, as pessoas, as outras intenções?
Faz tempo que não vou a esses encontros pelo evento em si, mas pelas pessoas. Já passei da fase de achar que sempre será imperdível, que descerá uma nave espacial. Desde minha retomada com o MH, a graça está nos cafés, nas pequenas conversas, em momentos em que as amizades se aprofundam. E é isso o que faz valer a pena. Essa sensação de troca, de sair de casa, ir pro mundo, estar com pessoas que buscam outras coisas, ainda mais num lugar lindo.
Quer saber? Estou com uma puta vontade de ir. Estou contrariada de não ter visto antes a melhor forma de ir. Acho que por isso não desisti de vez, sigo falando com as pessoas, vendo maneiras, apesar do desgaste que isso tem me gerado. Levar ou não o Pedro? Acho que viver esse momento será especial pra ele Tb, apesar de limitador.
Acho que vou fazer o que tenho feito, acreditar que se eu tiver que ir, algo bom vai acontecer nesse sentido. Confiar que assim será e, se assim for, não deixar passar o momento. Essa viagem traduz uma das maiores contradições que carrego: a vontade de “cair no mundo” X o medo, parece que a aventura inevitavelmente resultará em algo ruim. Isso está muito bem gravado, e contamina bastante.
Sobre a outra imobilidade... ela vem da falta do desapego, também da preguiça. Estive revendo uns vídeos da minha infância, vi o quanto eu era magra e ágil. Não parava nunca. Algo a;i mudou, ou entortou. É algo a se pensar. Vai ser bom rever esses vídeos, talvez rever algo na minha essência que ficou lá pra trás.
MARCHA MUNDIAL
Tá no mesmo nível da obra, não vejo a hora de acabar. E, igual à obra, sei que em breve contemplarei à distância com orgulho e alegria, mas agora tudo o que vejo é problema, falta de $, gente cobrando (no caso da Marcha) e um pensamento freqüente de fuga.
É algo a se refletir. Sei que essa é uma tendência que eu tenho, quando as coisas chegam a determinado ponto, me pergunto o que estou fazendo ali e tenho vontade de sair correndo. Mas em alguns casos, eu realmente me pergunto não só o que estou fazendo ali, mas por que fui parar ali. Porque tem coisas que eu definitivamente NÃO QUERO FAZER, e preciso estar atenta a elas ANTES de entrar. Depois posso até largar o barco, mas isso gera tanto conflito que não vale a pena, prefiro segurar a onda até o final. E me massacro.
E esse é um bom momento pra pensar: o que eu não quero mais?
- Não quero mais nada que implique em PRODUÇÃO. Em ficar resolvendo pepinos, organizando pessoas, mobilizando, agitando, estando à frente. Estou completamente fatigada de tudo isso. E também não quero estar em alguma equipe em que alguém fique me passando bolas e cobrando coisas. Não estou num momento muito coletivo, e no momento o coletivo só me interessa para duas coisas: troca e diversão. Vamos fazer festa? Vamos! Vamos celebrar? Vamos! Vamos tomar um café, falar da vida? Vamos!
Vamos agitar, organizar, mobilizar, fazer? Passa amanhã.
Acho que isso de repente muda, mas no momento, esse é meu desejo. E a marcha, e o ativismo, e todo o resto definitivamente está na contramão.
- Não quero mais colocar a necessidade de ganhar dinheiro à frente das coisas importantes. Eventualmente (e espero que cada vez mais deixe de ser eventual e passe a ser a regra) eu ganho dinheiro com coisas importantes. Gostaria que essa fosse a minha meta a partir de agora. Então:
- Quero que o sentido da minha vida coincida com meu meio de vida. Não dá mais pra trabalhar só por $, nem a curto prazo.
- Não quero mais me meter em situações que me coloquem na armadilha de ter que abrir mão das coisas importantes para “apagar incêndios”. Isso serve tanto para compromissos econômicos a longo prazo (dívidas) quanto para projetos que eventualmente eu entre e depois tenha dificuldade de sair porque “as pessoas contam comigo”. Para mim, já é difícil largar as coisas, mesmo quando estão me fazendo mal, imagine se tem “perdas” envolvidas...
ORGANISMOS E ETC
O que me encaixa, no momento, é o Centro de Estudos. Mas vamos ver. Na verdade, no semestre que vem não quero fazer muita coisa.
AMIZADES
Sinto falta da convivência com rodas de amigos pra bater papo, intercambiar. Estou muito isolada. Esse ano de trabalho exigiu muito tempo sozinha, e o ano que vem, com o nascimento do Gabriel, também tende a um certo afastamento. Mas não quero isso. Não vejo a hora de chamar amigos pra virem aqui em casa, fazer fogueira, essas coisas.
Tb é importante mudar o papel em relação a algumas amizades. Na real, é um papel geral, mas em alguns casos a minha dificuldade em colocar limites tem me enchido o saco. Um certo papel de “legal”, de não falar quando a pessoa tá pesando ou sendo autoritária.
Não quero mais ficar no meio de nada. De discussões, de controvérsias, segurando a onda de gente dificinha. Cansei de ficar tensa pq o outro pode ficar climático. Sinceramente? Que cada um segure a sua onda, pq quem quer agradar todo mundo acaba mostrando o rabo.
Ando bem sem paciência pros ritos, pras reclamações, pros defeitos dos outros e pros meus tb. Quero me preservar das relações meio tensas, ruidosas, rituosas, cercadas de cuidados e não-me-toques, cercadas de suscetibilidades, por mais “legal”que seja (não sei como, mas algumas amizades são assim, e são legais. Mas agora tô fora). Gente do céu, eu tô muito intolerante! Uma sensação estranha, me sentindo só e querendo me isolar. Na real, acho que é um sentimento meio infantil por causa do cansaço: só quero o melhor das pessoas. Claro que a vida não é assim, mas só agora, só agora, é o que eu gostaria.
DJA & EU
A gente tem uma cumplicidade linda. Vamos fazer 5 anos de casamento, já estamos há 9 anos juntos. Uma casa, 2 filhos, e segue o desejo de seguir em frente.
Há alguns ajustes a fazer.
Quando a gente ficou junto, lembro que o que me chamou a atenção foi uma ligação espiritual forte. Eu estava num momento de busca, tinha rompido com a minha fonte espiritual até então – o MH – na verdade, tinha dado um tempo. Estava me lançando de volta na arte, na minha vida de verdade, na minha vocação. Estava saindo de mais uma história ilusória, onde eu tinha me machucado muito. Estava com o espírito aberto e o peito doído, e nesse momento a gente se encontrou. Era muito diferente do que eu tinha vivido até então, Tão diferente que parecia outra coisa. E era mesmo. Não tinha um lugar definido pra nossa relação, tanto que a gente nunca deu nome. E tudo o que aconteceu na nossa vida, desde aí, foi dessa forma.
Acho bacana resgatar o que me parece ser o espírito da nossa ligação. Porque hoje as tensões que temos – e queremos superar – parecem vir de fora, da invasão, no nosso cotidiano, de fantasmas passados, presentes e futuros. A gente se conheceu no mundo etéreo, das artes, do teatro, do espírito, mas quando resolvemos baixar pra terra, que era nosso grande ponto fraco (apesar de eu ser taurina), os problemas apareceram.
Como vamos nos bancar? Trabalhando. Trabalhar em que? Por quanto tempo?
E os sintomas da “vida adulta” chegaram. E eu me lancei no oposto, consegui a vaga na ESPM e desde então estou lá. E o Dja oscilando entre os sonhos dele e trabalhos temporários, onde ele nunca pára, mesmo que quisesse (como foi no Micael) porque o coração não está lá.
E é esse o delta onde os conflitos estacionam. Os conflitos desse novo momento de vida misturam-se na nossa relação.
O novo momento de vida pede que a gente se banque. Pra isso, ou vamos atrás do emprego, ou atrás de conseguir remuneração com nossa arte. Sim, somos artistas, os 2. Isso não faz de nós melhor que ninguém, porque essa afirmação não é traduz um adjetivo, mas uma necessidade. Nenhum de nós será feliz sem fazer arte, e isso é fato. E esse fato, para não causar infelicidade, pressupõe o seguinte: que possamos viver, nos bancar, disso.
Atualmente, eu não me banco. Meus objetivos econômicos foram plenamente atingidos, mas os pessoais não. Adoro dar aulas, isso me revigora, mas é eventual. Não sou professora, sou uma artista que orienta artistas, que tenta passar um pouco do caminho das pedras, sacar resistências, e é só. Não sou acadêmica, nem intelectual. Sou intuitiva, e minha vida é abrir as antenas e, com suor e intenção, captar os sinais que o mundo necessita. Sou da linhagem dos bardos, ou talvez queira ser, mas é aí onde me reconheço. E se esse parágrafo está escrito junto com minha relação com o Dja, é porque essa definição é o norte da nossa vida juntos. Porque todos os momentos felizes que lembro da gente são os que estávamos ou criando, ou viajando com o pessoal do MH, pensando num outro mundo, realizando essas coisas. E tenho percebido que a gente acaba separando “família”disso. E eu acabo de perceber que o Pedro e o Gabriel tem que entrar nesse nosso espaço sagrado, ou, na realidade, temos que ir todos pra lá. E essa casa tem que ser a manifestação física desse lugar, e não fonte de problemas, aborrecimentos, invasões e preocupação.
Acho que parte disso vem justamente da nossa dificuldade com a matéria. Claro que, sendo um terreno difícil, não seria trilhado sem conflitos. Era necessário passar por aí, senão seríamos os eternos adolescentes tardios, com pensamentos maduros e ações infantis. Mas como todo momento de conflito, ele pode confundir, desviar o curso. E mostrar facetas inesperadas de cada um, a ponto de, às vezes, a gente não se reconhecer.
O que agradeço muito nessa história é perceber que as bases que construímos são tão firmes que, quando essas coisas acontecem, é como se um canto profundo nos lembrasse de quem realmente somos, inclusive juntos. O mecanismo se faz presente com muita lucidez, e nos percebemos vítimas dele, não vítimas um do outro. Esse é o maior presente que temos. Isso é o que nos mantém atados, firmes, durante o canto da sereia. Porque na hora em que olhamos para o rosto da contradição estampado no rosto do outro, de alguma forma percebemos que aquilo não é a pessoa, mas o estado contraditório em que nos encontramos.
Ainda não resolvemos essa questão. Essa ponte ainda não foi totalmente cruzada. Antigamente, eu pensava que se a gente conseguisse se sustentar economicamente o problema já estaria resolvido. Mas não. Há limites internos a vencer para que consigamos chegar naquele lugar tão sonhado, em que a gente possa realmente estabelecer um cana; tão forte que passamos a ser porta-vozes de algo importante. E que a gente supere os desafios materiais para tornar isso realmente público. Uma vez realmente público, se realmente reverberar, os recursos chegarão. É isso o que eu acredito.
No meu caso, meus desafios são o medo e a preguiça.
Claro que há outros caminhos, mas esse é o único que me interessa. Outro dia, lendo a história da autora do Harry Potter, reconheci nela o meu devaneio. A idéia do livro surgiu num momento difícil, mas numa viagem de trem. O primeiro foi escrito em cafés, com a filha ainda pequena dormindo num carrinho. Ela foi de editora em editora até publicar. E o que aconteceu a partir daí foi conseqüência da força do universo que ela conseguiu gerar.
Eu achava que era um fenômeno de mídia. Depois de saber disso, resolvi ler os livros. Fiquei encantada. Ela virou uma referência. E nesse ano, revisando minhas agendas para um trabalho biográfico, me deparei com a seguinte declaração: “hoje acordei com uma intuição: serei escritora, vou escrever um Best seller”. Era algo assim, e dando o devido desconto para as pretensões adolescentes, está claro que esse sempre foi um forte devaneio. Ou uma forte intuição de caminho de vida.
Isso tem me feito pensar muito. Estou aqui agora, sentada há uma hora, e nem consigo imaginar fazer outra coisa. “tenho a casa para arrumar”, penso. Porque me propus a deixar a casa sempre em ordem, não quero repetir aqui a zona de outros lugares. Simplesmente porque gosto e preciso de um lugar harmônico para viver, onde eu não tropece em coisas. Isso é uma outra fonte de tensões que também entra nesse tópico Dja/família. Deixar uma casa arrumada pode me custar um dia inteiro de trabalho, se bobear. O que definitivamente não tem nada a ver comigo. Mas talvez uma meia hora diária reservada a isso possa ser suficiente.
Ah... a disciplina... fazer todo dia a mesma coisa economiza energia ou mecanifica a vida?
As quatro estações e o ritmo interno: uma das coisas mais urgentes que preciso fazer é respeitar meu ritmo. Certa vez, li em algum lugar que o verão, por ex, é uma estação de não se fazer muita coisa, só desfrutar. Hahahahahahha! Como assim, só desfrutar? Acho que eu não faço isso há anos. Mesmo passeando, eu tenho que trabalhar na produção da diversão, armar esquemas, criar roteiros, pra fazer render a produtividade do passeio. Um horror de constatar isso, mas é assim. Só nas viagens sem intenção clara estabelecida isso não acontece, e eu me surpreendo tendo uma epifania tomando um café com um amigo, coisa que poderia estar fazendo em qualquer lugar do planeta.
E aí volto ao conceito do espírito. E da minha ligação com o Dja. Estamos, os 2, em plena batalha, não entre nós, mas com nossas dificuldades. E, estando em batalha, acaba resvalando violência pelas bordas. Não sei por que, se pela tendência de se mover sozinho que os filhos mais velhos (que somos) tem, ou por um medo intuitivo de que isso desgaste a relação, não sei por que, mas nós resolvemos travar essa batalha em paralelo, mas sozinhos. Cada um no seu front. E acho que isso tem gerado nossos desencontros. Estamos, agora, feridos e solitários, cada um na sua trincheira e com seus inimigos. Às vezes, nos olhamos na solidariedade do soldado ferido, às vezes confundimos um ao outro com os próprios inimigos. Mas isso tão tá legal.
O momento deve, sim, ser enfrentado. Ele é difícil. Se não fosse, repito, teríamos nos encontrado em outra situação, talvez cada um já morando em sua própria casa, com seus trabalhos estabelecidos, mas essa seria outra história. O fato é que estamos cruzando esse rio, e talvez a guerra não seja a única forma de travessia. Certamente não será zen, mas não precisa ser tão doído.
E a família entra nessa também. Estando nós 2 em nossas trincheiras, o Pedro fica no mundo dele. Tentando não me culpar, e me consolando no fato de a criança sobreviver bem a isso, também não acho que é o ideal. Uma das cenas mais impressionantes que já vivi com ele aconteceu há pouco tempo. Num desses dias de batalha, num dia em que o Dja e eu, depois de termos nos machucado mutuamente, chorávamos no sofá, o Pedro simplesmente colocou uma mão na cabeça de cada um. Como ele não fala português, definiu num gesto simples se amparo, seu desejo, e sei lá mais o que que tenha passado na cabecinha dele naquele momento. Juro que essa imagem vai balisar muita coisa pra mim a partir desse dia. Ela me emociona, foi um fio terra gigantesco. Não quero falar muito sobre isso, porque a imagem se basta. Naquele momento, o Pedro foi um anjo. Mas ele é uma criança, e tem que ter esse direito de ser uma criança, com tudo o que uma criança trás.
É incrível como tem tanta coisa no pacote “Dja & eu”. Nossa relação com a vida, com os filhos, com a casa, com nossa ação no mundo. E sobre isso, é um capítulo à parte. Sei que somos melhores estando “pra fora”. Mas nesse momento, estamos tb num reajuste de qual é realmente essa ação.
Fico muito feliz porque, apesar de tudo isso, a gente ainda mantém uma ligação muito forte. E ter passado por isso, ou estar passando, é um alívio também, na verdade é uma grande prova de que estamos juntos não apenas nas condições ideais de temperatura e pressão. Agora estamos em altas temperaturas, alta pressão, e apesar de tudo o desejo de estar junto existe. Eu só acho, realmente, que esse estado de guerra às vezes tem suas razões externas, mas também pode virar um hábito. Como soldados que, no fim da guerra, não sabem mais o que fazer da vida, para onde ir, e ficam caçando briga por aí. E agora, sinceramente, sinto que é o momento de mudar a chave, se cuidar, nos cuidarmos mutuamente, retornar às nossas origens do cuidar. “tem que cuidar”foi uma frase que ouvi dele lá no nosso comecinho, e que entrou no meu coração com tanta suavidade e força que me trouxe até aqui.
Sim, há muito amor. Mas estamos feridos e sozinhos, e precisamos nos cuidar. Pra isso, além de conseguir dar um tempo de nossos inimigos pessoais, temos que encarar um comum: o condicionamento, o hábito de estar fazendo as coisas dessa forma.
O RITMO PESSOAL, O PRAZER E O DESCANSO
Isso tudo foi escrito em momentos diferentes, em dias diferentes, com climas diferentes. Sinto, agora, um grande esvaziamento. E uma forte compreensão que tenho que realmente me conectar ao meu ritmo interno sem culpa, especialmente porque ele não é o ritmo das grandes cidades. Talvez viver em SP seja uma grande compensação disso. Mas não pode ser um presídio.
Acho que eu encaro esse ritmo com preconceito. Me comparo muito a todas as pessoas hiperativas e me culpo por não ser assim. Tenho muito medo de me acomodar, então me lanço em coisas enormes, complexas e trabalhosas, lá no fundo contrariada, mas dizendo”vamos! Vamos!”. Agora chega, né?
Outra coisa engraçada: há um tempo, quando eu enveredava por outras buscas, acabei indo em algumas “sessões espíritas”, em que um amigo nosso, o Irineu, recebia uma entidade: o Seu Zé Pilintra. Naquele momento, o seu Zé foi essencial. E entre as várias coisas bacanas que ele falou – seja lá quem for ele, e isso não me importa – uma delas foi:
- você conhece pilão?
- Pilão? Aquele, de socar coisas?
- é. Você prefere a parte de cima ou a parte de baixo?
- a de cima (não sei pq respondi isso)
- é a que faz alguma coisa, né? Não a que fica embaixo, só apoiando...
Não precisa falar mais nada, né?
O mais engraçado é que, no meio de toda a mudança que veio de franca, minha mãe me mandou um pilão. Como eu estava em pleno momento “joga fora no lixo”, minha primeira reação foi de contrariedade, porque é um treco grande, pesado e “inútil”. Coloquei o pilão num canto, e o canto gostou dele. E eu vou deixar ele ali, pra me lembrar desse diálogo com o seu Zé.
E por último:
- não quero mais estar atada à casa grande.
Preciso resolver esse medo. Preciso parar de buscar carrascos, buscar senhores. Ainda que sejam amigos – o que é pior.
Acho que essa passagem do Luís (pedreiro) aqui em casa me trouxe isso. Talvez por essa razão tenha me afetado tanto. No plano “visível” era ele um pedreiro, no ano de 2009, trabalhando pra um casal. Nos planos “invisíveis”, era ele o escravo submetido aos bons senhores, oscilando entre a gratidão excessiva e o ódio. Mendigando afeto em troca da lealdade. E terminando em um buraco cercado de lama, sem ninguém pra culpar de verdade dessa vez, a não ser ele próprio.
É como eu me coloco, também, às vezes. Cavo buracos que não consigo fechar, me enterro neles. Finjo uma submissão por medo de seguir sozinha. Me ressinto com os que conseguem. Odeio o carrasco, mesmo que ele não exista, mas perco muito tempo preparando as costas para a próxima chibatada. Sonho com os quilombos, mas para mim ressoam como um sonho distante, porque com os patrões o pão de cada dia tá garantido, e pronto. Me degrado por esse pensamento, sou escrava dessa compulsão.
É como um arquétipo vivido por tantos em vida real. É uma armadilha da qual preciso me libertar.
Esse último semestre foi tenso.
até o encontro da Escola em Caucaia, a coisa ia corrida, mas proporcionada. Acho que os estudos davam a pitada que faltava pra gente aguentar de pé o tranco do momento.
resolvemos construir uma casa, encarando tudo o que envolvia essa escolha: tensões com pedreiros e etc, falta de $, imprevistos, barulho, sujeira. A construção de um lar, de uma casa que pudesse abrigar nossa família, amigos e sonhos, cercada de verde e amor, era nosso motor. Ainda é, na verdade.
no meio disso tudo, a gravidez. Uma bênção do momento, num momento tão difícil. Por causa dela, do Gabriel, tive dispensa das aulas da ESPM. Incrível, um dos presentes do semestre. O que já me faz ver que essas aulas não são parte do pacote "o que eu quero ser quando crescer".
De setembro pra cá, o ano pesou. Pesou o fato do Dja ter sido demitido, a gente com dívidas e obra começada. No fundo, foi bom. Ele pegou o filme, tem mais a ver com que quer da vida, com o caminho da felicidade dele. E conhecendo como as coisas funcionam, é bem provável que essas filmagens confrontassem com as aulas, e isso seria motivo de contradição.
Dizem que nada vem por acaso, e esse ano tá assim. nos últimos dias, eu andava com uma agonia rara, um sono, tristeza, melancolia, falta de vontade, um horror. um clima terrível dentro da minha própria casa, a casa pra onde já me mudei mesmo com obras, a casa que deveria conter o sonho. Ainda bem, percebi a tempo que o problema não era a casa, mas o entorno, os problemas com a obra interminável e os problemas intermináveis dos pedreiros. No Movimento eu passei por isso várias vezes, essa dificuldade em me conectar com o outro sem me tornar a esponja dos problemas do outro. Várias vezes senti esse "peso", e gradualmente fui trabalhando essa minha culpa. O pedreiro sumiu, eu dei graças a Deus, agora, nesse exato momento, tem outro trabalhando e é como se a casa estivesse vazia. ainda bem.
Eu preciso aprender a ouvir mais os meus sinais sem passar por cima. Nesse ano, foi muita invasão, muita. a tristeza que eu sinto é a distância que estou de quem sou, a obrigatoriedade auto-imposta de ficar fazendo coisas que não quero porque "assim tem que ser". Na última massagem/encontro com a Vilma, quando eu desmoronei de chorar, ela me sugeriu que eu listasse tudo o que tenho feito, pra ver o que tem a ver com o que quero. Vou seguir o conselho.
AULAS ESPM
Gosto das aulas de Design. Adorei dar o curso de roteiro. O doc da Social gostei no começo, mas depois pesou demais. se fosse pra orientar os alunos, seria ótimo, mas fazer tudo sozinha com estrutura amadora é pesado. As aulas de comunicação eu faço por $, e só. Graças aus guias, essa despensa aconteceu.
REFORMA
Não aguento mais nada. só quero ver pronto. mas ok, isso é provisório.
MATERNIDADE
Tem me gerado sérias contradições. eu me cobro muito. percebi que minha mãe é um anti-modelo, porque tenho completo pavor de me ver seguindo as escolhas dela - viver para os filhos, pra casa, pro "marido". Eu até acho que ela é feliz assim, era esse o devaneio dela. Mas eu nunca seria. Se eu larguei a casa pra vir pra SP, o que me move é outra coisa.
Esse é um ponto extremamente delicado agora, justo quando a casa, gravidez, filhos, pedem essa atenção. Eu me cobro de brincar e sair mais com o Pedro, sinto culpa de ver ele tão sozinho, mesmo brincando. Não acho justo, mas tb não consigo brincar por obrigação, aí já seria demais.
Tenho que descobrir um modelo novo, onde eu tenha mobilidade sem culpa, mas também não desatenda. Uma boa medida é sempre colocar uma hora para cada coisa, e garantir que no tempo em que eu estiver longe que ele esteja bem, se divertindo, em boas mãos, essas coisas.
Por mais estranho que pareça, essa revisão agora é importante. Acho que a pergunta não é “será que eu quero ser mãe?”, pq eu já sou e quero. Talvez seja “que tipo de mãe eu quero ser?”Ou, quem é a Claudia-mãe? Pq não tem modelo.
Na verdade, a grande dificuldade tem sido a proporção. Como essa obra tem tomado um tempo desproporcional, o resto fica totalmente truncado, “do jeito que dá”, e com cansaço, o que não ajuda em nada.
MOVIMENTO HUMANISTA
ESCOLA
Tudo de bom, tudo a ver. Espero não me deparar com dilemas em relação ao Gabriel, tipo um retiro de 1 semana com ele tendo 1 mês. Espero mesmo! Isso já tem gerado uma tensão, pra falar a verdade.
A tensão vem da imobilidade. Tem uma resistência interna, relacionada ao medo de sair no mundo (apesar do profundo desejo de sair no mundo), e agora uma externa, a coisa de se mover com filhos pequenos. Não é uma imobilidade, mas é uma dificuldade.
Em relação à primeira, é incrível. Agora mesmo me encontro num dilema monstruoso, se vou ou não a Punta de Vacas. Não sei se por resistência ou ato falho, deixei de comprar a passagem a Mendoza quando ela ainda era viável, e não dá mais. Sondei uma rota por Santiago, mas a quantidade de dificuldades me fez não refazer a reserva. Pra falar a verdade, tudo o que eu queria era subir num avião, de lá num ôpnibus, e que alguém me levasse. Essa opção eu até tinha, mas perdi porque achei que seria muito trampo. Agora estou vendo uma possibilidade final, a de ir a BA, de lá a Rosario, de Rosario seguir com o pessoal. Talvez seja mais longa, mas mais acolhedora. Sei lá. E no meio de tudo, meu pai “pedindo” pra não ir, oferecendo as vantagens de ir pra Franca, pra casa, pro conhecido. Me lembrei de quando eu ficava chateada quando uma festa aparecia, porque sabia que teria que enfrentar uma batalha para ir ou até não ir. Num dado momento, passei a preferir que as festas não existissem. Agora estou de frente para mais uma festa e para a corrente de desafios para que eu possa participar. E isso já contaminando a alegria de ir, e agora eu sabendo que só dependia de mim, mas com essa resist6encia internalizada. E vendo os preparativos de quem vai, e querendo ir, e achando que não devo, e querendo ir, e com medo de ir e gerar problemas, e com vontade de ir e rever meus amigos, rever os momentos incríveis que sempre passo entre eles, que sempre passo entre viagens, e me achando covarde se eu não for, e sem forças pra pensar em esquemas, e pedindo para que alguma solução caia do céu, e sentindo a contradição da repetição de não estar bem em lugar nenhum.
Porque parte do que eu sou está nesse conjunto, e nessas viagens já vivi alguns dos melhores momentos da minha vida. E ir prum SPA, pra Franca, pra onde for, nunca será a mesma coisa. E o medo de atropelar as coisas, as pessoas, as outras intenções?
Faz tempo que não vou a esses encontros pelo evento em si, mas pelas pessoas. Já passei da fase de achar que sempre será imperdível, que descerá uma nave espacial. Desde minha retomada com o MH, a graça está nos cafés, nas pequenas conversas, em momentos em que as amizades se aprofundam. E é isso o que faz valer a pena. Essa sensação de troca, de sair de casa, ir pro mundo, estar com pessoas que buscam outras coisas, ainda mais num lugar lindo.
Quer saber? Estou com uma puta vontade de ir. Estou contrariada de não ter visto antes a melhor forma de ir. Acho que por isso não desisti de vez, sigo falando com as pessoas, vendo maneiras, apesar do desgaste que isso tem me gerado. Levar ou não o Pedro? Acho que viver esse momento será especial pra ele Tb, apesar de limitador.
Acho que vou fazer o que tenho feito, acreditar que se eu tiver que ir, algo bom vai acontecer nesse sentido. Confiar que assim será e, se assim for, não deixar passar o momento. Essa viagem traduz uma das maiores contradições que carrego: a vontade de “cair no mundo” X o medo, parece que a aventura inevitavelmente resultará em algo ruim. Isso está muito bem gravado, e contamina bastante.
Sobre a outra imobilidade... ela vem da falta do desapego, também da preguiça. Estive revendo uns vídeos da minha infância, vi o quanto eu era magra e ágil. Não parava nunca. Algo a;i mudou, ou entortou. É algo a se pensar. Vai ser bom rever esses vídeos, talvez rever algo na minha essência que ficou lá pra trás.
MARCHA MUNDIAL
Tá no mesmo nível da obra, não vejo a hora de acabar. E, igual à obra, sei que em breve contemplarei à distância com orgulho e alegria, mas agora tudo o que vejo é problema, falta de $, gente cobrando (no caso da Marcha) e um pensamento freqüente de fuga.
É algo a se refletir. Sei que essa é uma tendência que eu tenho, quando as coisas chegam a determinado ponto, me pergunto o que estou fazendo ali e tenho vontade de sair correndo. Mas em alguns casos, eu realmente me pergunto não só o que estou fazendo ali, mas por que fui parar ali. Porque tem coisas que eu definitivamente NÃO QUERO FAZER, e preciso estar atenta a elas ANTES de entrar. Depois posso até largar o barco, mas isso gera tanto conflito que não vale a pena, prefiro segurar a onda até o final. E me massacro.
E esse é um bom momento pra pensar: o que eu não quero mais?
- Não quero mais nada que implique em PRODUÇÃO. Em ficar resolvendo pepinos, organizando pessoas, mobilizando, agitando, estando à frente. Estou completamente fatigada de tudo isso. E também não quero estar em alguma equipe em que alguém fique me passando bolas e cobrando coisas. Não estou num momento muito coletivo, e no momento o coletivo só me interessa para duas coisas: troca e diversão. Vamos fazer festa? Vamos! Vamos celebrar? Vamos! Vamos tomar um café, falar da vida? Vamos!
Vamos agitar, organizar, mobilizar, fazer? Passa amanhã.
Acho que isso de repente muda, mas no momento, esse é meu desejo. E a marcha, e o ativismo, e todo o resto definitivamente está na contramão.
- Não quero mais colocar a necessidade de ganhar dinheiro à frente das coisas importantes. Eventualmente (e espero que cada vez mais deixe de ser eventual e passe a ser a regra) eu ganho dinheiro com coisas importantes. Gostaria que essa fosse a minha meta a partir de agora. Então:
- Quero que o sentido da minha vida coincida com meu meio de vida. Não dá mais pra trabalhar só por $, nem a curto prazo.
- Não quero mais me meter em situações que me coloquem na armadilha de ter que abrir mão das coisas importantes para “apagar incêndios”. Isso serve tanto para compromissos econômicos a longo prazo (dívidas) quanto para projetos que eventualmente eu entre e depois tenha dificuldade de sair porque “as pessoas contam comigo”. Para mim, já é difícil largar as coisas, mesmo quando estão me fazendo mal, imagine se tem “perdas” envolvidas...
ORGANISMOS E ETC
O que me encaixa, no momento, é o Centro de Estudos. Mas vamos ver. Na verdade, no semestre que vem não quero fazer muita coisa.
AMIZADES
Sinto falta da convivência com rodas de amigos pra bater papo, intercambiar. Estou muito isolada. Esse ano de trabalho exigiu muito tempo sozinha, e o ano que vem, com o nascimento do Gabriel, também tende a um certo afastamento. Mas não quero isso. Não vejo a hora de chamar amigos pra virem aqui em casa, fazer fogueira, essas coisas.
Tb é importante mudar o papel em relação a algumas amizades. Na real, é um papel geral, mas em alguns casos a minha dificuldade em colocar limites tem me enchido o saco. Um certo papel de “legal”, de não falar quando a pessoa tá pesando ou sendo autoritária.
Não quero mais ficar no meio de nada. De discussões, de controvérsias, segurando a onda de gente dificinha. Cansei de ficar tensa pq o outro pode ficar climático. Sinceramente? Que cada um segure a sua onda, pq quem quer agradar todo mundo acaba mostrando o rabo.
Ando bem sem paciência pros ritos, pras reclamações, pros defeitos dos outros e pros meus tb. Quero me preservar das relações meio tensas, ruidosas, rituosas, cercadas de cuidados e não-me-toques, cercadas de suscetibilidades, por mais “legal”que seja (não sei como, mas algumas amizades são assim, e são legais. Mas agora tô fora). Gente do céu, eu tô muito intolerante! Uma sensação estranha, me sentindo só e querendo me isolar. Na real, acho que é um sentimento meio infantil por causa do cansaço: só quero o melhor das pessoas. Claro que a vida não é assim, mas só agora, só agora, é o que eu gostaria.
DJA & EU
A gente tem uma cumplicidade linda. Vamos fazer 5 anos de casamento, já estamos há 9 anos juntos. Uma casa, 2 filhos, e segue o desejo de seguir em frente.
Há alguns ajustes a fazer.
Quando a gente ficou junto, lembro que o que me chamou a atenção foi uma ligação espiritual forte. Eu estava num momento de busca, tinha rompido com a minha fonte espiritual até então – o MH – na verdade, tinha dado um tempo. Estava me lançando de volta na arte, na minha vida de verdade, na minha vocação. Estava saindo de mais uma história ilusória, onde eu tinha me machucado muito. Estava com o espírito aberto e o peito doído, e nesse momento a gente se encontrou. Era muito diferente do que eu tinha vivido até então, Tão diferente que parecia outra coisa. E era mesmo. Não tinha um lugar definido pra nossa relação, tanto que a gente nunca deu nome. E tudo o que aconteceu na nossa vida, desde aí, foi dessa forma.
Acho bacana resgatar o que me parece ser o espírito da nossa ligação. Porque hoje as tensões que temos – e queremos superar – parecem vir de fora, da invasão, no nosso cotidiano, de fantasmas passados, presentes e futuros. A gente se conheceu no mundo etéreo, das artes, do teatro, do espírito, mas quando resolvemos baixar pra terra, que era nosso grande ponto fraco (apesar de eu ser taurina), os problemas apareceram.
Como vamos nos bancar? Trabalhando. Trabalhar em que? Por quanto tempo?
E os sintomas da “vida adulta” chegaram. E eu me lancei no oposto, consegui a vaga na ESPM e desde então estou lá. E o Dja oscilando entre os sonhos dele e trabalhos temporários, onde ele nunca pára, mesmo que quisesse (como foi no Micael) porque o coração não está lá.
E é esse o delta onde os conflitos estacionam. Os conflitos desse novo momento de vida misturam-se na nossa relação.
O novo momento de vida pede que a gente se banque. Pra isso, ou vamos atrás do emprego, ou atrás de conseguir remuneração com nossa arte. Sim, somos artistas, os 2. Isso não faz de nós melhor que ninguém, porque essa afirmação não é traduz um adjetivo, mas uma necessidade. Nenhum de nós será feliz sem fazer arte, e isso é fato. E esse fato, para não causar infelicidade, pressupõe o seguinte: que possamos viver, nos bancar, disso.
Atualmente, eu não me banco. Meus objetivos econômicos foram plenamente atingidos, mas os pessoais não. Adoro dar aulas, isso me revigora, mas é eventual. Não sou professora, sou uma artista que orienta artistas, que tenta passar um pouco do caminho das pedras, sacar resistências, e é só. Não sou acadêmica, nem intelectual. Sou intuitiva, e minha vida é abrir as antenas e, com suor e intenção, captar os sinais que o mundo necessita. Sou da linhagem dos bardos, ou talvez queira ser, mas é aí onde me reconheço. E se esse parágrafo está escrito junto com minha relação com o Dja, é porque essa definição é o norte da nossa vida juntos. Porque todos os momentos felizes que lembro da gente são os que estávamos ou criando, ou viajando com o pessoal do MH, pensando num outro mundo, realizando essas coisas. E tenho percebido que a gente acaba separando “família”disso. E eu acabo de perceber que o Pedro e o Gabriel tem que entrar nesse nosso espaço sagrado, ou, na realidade, temos que ir todos pra lá. E essa casa tem que ser a manifestação física desse lugar, e não fonte de problemas, aborrecimentos, invasões e preocupação.
Acho que parte disso vem justamente da nossa dificuldade com a matéria. Claro que, sendo um terreno difícil, não seria trilhado sem conflitos. Era necessário passar por aí, senão seríamos os eternos adolescentes tardios, com pensamentos maduros e ações infantis. Mas como todo momento de conflito, ele pode confundir, desviar o curso. E mostrar facetas inesperadas de cada um, a ponto de, às vezes, a gente não se reconhecer.
O que agradeço muito nessa história é perceber que as bases que construímos são tão firmes que, quando essas coisas acontecem, é como se um canto profundo nos lembrasse de quem realmente somos, inclusive juntos. O mecanismo se faz presente com muita lucidez, e nos percebemos vítimas dele, não vítimas um do outro. Esse é o maior presente que temos. Isso é o que nos mantém atados, firmes, durante o canto da sereia. Porque na hora em que olhamos para o rosto da contradição estampado no rosto do outro, de alguma forma percebemos que aquilo não é a pessoa, mas o estado contraditório em que nos encontramos.
Ainda não resolvemos essa questão. Essa ponte ainda não foi totalmente cruzada. Antigamente, eu pensava que se a gente conseguisse se sustentar economicamente o problema já estaria resolvido. Mas não. Há limites internos a vencer para que consigamos chegar naquele lugar tão sonhado, em que a gente possa realmente estabelecer um cana; tão forte que passamos a ser porta-vozes de algo importante. E que a gente supere os desafios materiais para tornar isso realmente público. Uma vez realmente público, se realmente reverberar, os recursos chegarão. É isso o que eu acredito.
No meu caso, meus desafios são o medo e a preguiça.
Claro que há outros caminhos, mas esse é o único que me interessa. Outro dia, lendo a história da autora do Harry Potter, reconheci nela o meu devaneio. A idéia do livro surgiu num momento difícil, mas numa viagem de trem. O primeiro foi escrito em cafés, com a filha ainda pequena dormindo num carrinho. Ela foi de editora em editora até publicar. E o que aconteceu a partir daí foi conseqüência da força do universo que ela conseguiu gerar.
Eu achava que era um fenômeno de mídia. Depois de saber disso, resolvi ler os livros. Fiquei encantada. Ela virou uma referência. E nesse ano, revisando minhas agendas para um trabalho biográfico, me deparei com a seguinte declaração: “hoje acordei com uma intuição: serei escritora, vou escrever um Best seller”. Era algo assim, e dando o devido desconto para as pretensões adolescentes, está claro que esse sempre foi um forte devaneio. Ou uma forte intuição de caminho de vida.
Isso tem me feito pensar muito. Estou aqui agora, sentada há uma hora, e nem consigo imaginar fazer outra coisa. “tenho a casa para arrumar”, penso. Porque me propus a deixar a casa sempre em ordem, não quero repetir aqui a zona de outros lugares. Simplesmente porque gosto e preciso de um lugar harmônico para viver, onde eu não tropece em coisas. Isso é uma outra fonte de tensões que também entra nesse tópico Dja/família. Deixar uma casa arrumada pode me custar um dia inteiro de trabalho, se bobear. O que definitivamente não tem nada a ver comigo. Mas talvez uma meia hora diária reservada a isso possa ser suficiente.
Ah... a disciplina... fazer todo dia a mesma coisa economiza energia ou mecanifica a vida?
As quatro estações e o ritmo interno: uma das coisas mais urgentes que preciso fazer é respeitar meu ritmo. Certa vez, li em algum lugar que o verão, por ex, é uma estação de não se fazer muita coisa, só desfrutar. Hahahahahahha! Como assim, só desfrutar? Acho que eu não faço isso há anos. Mesmo passeando, eu tenho que trabalhar na produção da diversão, armar esquemas, criar roteiros, pra fazer render a produtividade do passeio. Um horror de constatar isso, mas é assim. Só nas viagens sem intenção clara estabelecida isso não acontece, e eu me surpreendo tendo uma epifania tomando um café com um amigo, coisa que poderia estar fazendo em qualquer lugar do planeta.
E aí volto ao conceito do espírito. E da minha ligação com o Dja. Estamos, os 2, em plena batalha, não entre nós, mas com nossas dificuldades. E, estando em batalha, acaba resvalando violência pelas bordas. Não sei por que, se pela tendência de se mover sozinho que os filhos mais velhos (que somos) tem, ou por um medo intuitivo de que isso desgaste a relação, não sei por que, mas nós resolvemos travar essa batalha em paralelo, mas sozinhos. Cada um no seu front. E acho que isso tem gerado nossos desencontros. Estamos, agora, feridos e solitários, cada um na sua trincheira e com seus inimigos. Às vezes, nos olhamos na solidariedade do soldado ferido, às vezes confundimos um ao outro com os próprios inimigos. Mas isso tão tá legal.
O momento deve, sim, ser enfrentado. Ele é difícil. Se não fosse, repito, teríamos nos encontrado em outra situação, talvez cada um já morando em sua própria casa, com seus trabalhos estabelecidos, mas essa seria outra história. O fato é que estamos cruzando esse rio, e talvez a guerra não seja a única forma de travessia. Certamente não será zen, mas não precisa ser tão doído.
E a família entra nessa também. Estando nós 2 em nossas trincheiras, o Pedro fica no mundo dele. Tentando não me culpar, e me consolando no fato de a criança sobreviver bem a isso, também não acho que é o ideal. Uma das cenas mais impressionantes que já vivi com ele aconteceu há pouco tempo. Num desses dias de batalha, num dia em que o Dja e eu, depois de termos nos machucado mutuamente, chorávamos no sofá, o Pedro simplesmente colocou uma mão na cabeça de cada um. Como ele não fala português, definiu num gesto simples se amparo, seu desejo, e sei lá mais o que que tenha passado na cabecinha dele naquele momento. Juro que essa imagem vai balisar muita coisa pra mim a partir desse dia. Ela me emociona, foi um fio terra gigantesco. Não quero falar muito sobre isso, porque a imagem se basta. Naquele momento, o Pedro foi um anjo. Mas ele é uma criança, e tem que ter esse direito de ser uma criança, com tudo o que uma criança trás.
É incrível como tem tanta coisa no pacote “Dja & eu”. Nossa relação com a vida, com os filhos, com a casa, com nossa ação no mundo. E sobre isso, é um capítulo à parte. Sei que somos melhores estando “pra fora”. Mas nesse momento, estamos tb num reajuste de qual é realmente essa ação.
Fico muito feliz porque, apesar de tudo isso, a gente ainda mantém uma ligação muito forte. E ter passado por isso, ou estar passando, é um alívio também, na verdade é uma grande prova de que estamos juntos não apenas nas condições ideais de temperatura e pressão. Agora estamos em altas temperaturas, alta pressão, e apesar de tudo o desejo de estar junto existe. Eu só acho, realmente, que esse estado de guerra às vezes tem suas razões externas, mas também pode virar um hábito. Como soldados que, no fim da guerra, não sabem mais o que fazer da vida, para onde ir, e ficam caçando briga por aí. E agora, sinceramente, sinto que é o momento de mudar a chave, se cuidar, nos cuidarmos mutuamente, retornar às nossas origens do cuidar. “tem que cuidar”foi uma frase que ouvi dele lá no nosso comecinho, e que entrou no meu coração com tanta suavidade e força que me trouxe até aqui.
Sim, há muito amor. Mas estamos feridos e sozinhos, e precisamos nos cuidar. Pra isso, além de conseguir dar um tempo de nossos inimigos pessoais, temos que encarar um comum: o condicionamento, o hábito de estar fazendo as coisas dessa forma.
O RITMO PESSOAL, O PRAZER E O DESCANSO
Isso tudo foi escrito em momentos diferentes, em dias diferentes, com climas diferentes. Sinto, agora, um grande esvaziamento. E uma forte compreensão que tenho que realmente me conectar ao meu ritmo interno sem culpa, especialmente porque ele não é o ritmo das grandes cidades. Talvez viver em SP seja uma grande compensação disso. Mas não pode ser um presídio.
Acho que eu encaro esse ritmo com preconceito. Me comparo muito a todas as pessoas hiperativas e me culpo por não ser assim. Tenho muito medo de me acomodar, então me lanço em coisas enormes, complexas e trabalhosas, lá no fundo contrariada, mas dizendo”vamos! Vamos!”. Agora chega, né?
Outra coisa engraçada: há um tempo, quando eu enveredava por outras buscas, acabei indo em algumas “sessões espíritas”, em que um amigo nosso, o Irineu, recebia uma entidade: o Seu Zé Pilintra. Naquele momento, o seu Zé foi essencial. E entre as várias coisas bacanas que ele falou – seja lá quem for ele, e isso não me importa – uma delas foi:
- você conhece pilão?
- Pilão? Aquele, de socar coisas?
- é. Você prefere a parte de cima ou a parte de baixo?
- a de cima (não sei pq respondi isso)
- é a que faz alguma coisa, né? Não a que fica embaixo, só apoiando...
Não precisa falar mais nada, né?
O mais engraçado é que, no meio de toda a mudança que veio de franca, minha mãe me mandou um pilão. Como eu estava em pleno momento “joga fora no lixo”, minha primeira reação foi de contrariedade, porque é um treco grande, pesado e “inútil”. Coloquei o pilão num canto, e o canto gostou dele. E eu vou deixar ele ali, pra me lembrar desse diálogo com o seu Zé.
E por último:
- não quero mais estar atada à casa grande.
Preciso resolver esse medo. Preciso parar de buscar carrascos, buscar senhores. Ainda que sejam amigos – o que é pior.
Acho que essa passagem do Luís (pedreiro) aqui em casa me trouxe isso. Talvez por essa razão tenha me afetado tanto. No plano “visível” era ele um pedreiro, no ano de 2009, trabalhando pra um casal. Nos planos “invisíveis”, era ele o escravo submetido aos bons senhores, oscilando entre a gratidão excessiva e o ódio. Mendigando afeto em troca da lealdade. E terminando em um buraco cercado de lama, sem ninguém pra culpar de verdade dessa vez, a não ser ele próprio.
É como eu me coloco, também, às vezes. Cavo buracos que não consigo fechar, me enterro neles. Finjo uma submissão por medo de seguir sozinha. Me ressinto com os que conseguem. Odeio o carrasco, mesmo que ele não exista, mas perco muito tempo preparando as costas para a próxima chibatada. Sonho com os quilombos, mas para mim ressoam como um sonho distante, porque com os patrões o pão de cada dia tá garantido, e pronto. Me degrado por esse pensamento, sou escrava dessa compulsão.
É como um arquétipo vivido por tantos em vida real. É uma armadilha da qual preciso me libertar.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
depois de tanta coisa
Se há um momento de instabilidade, é esse.Acho que nunca passei por tanta coisa junta.Obra, Marcha Mundial, trabalhos da Escola, maternidade, gravidez, trabalho, e todas as tensões provenientes de tudo isso. Várias situações me colocando na berlinda, no limite, a maternidade me dando eixo para não sucumbir à auto-piedade. Sim, sempre se pode agüentar mais um pouco.Tenho tomado contato com sentimentos raros. Muita raiva, por exemplo. Ou talvez ela nunca tenha mostrado seu rosto de forma tão clara. Muita luz também. Muitos presentes da vida, mas nada, nada, sendo fácil. Tudo mais difícil que esperávamos na visão romântica, presentes que jamais esperávamos aparecendo do nada. Um presente, um desafio, um presente, um desafio, uma crise de choro, um dia esplêndido de autoconsciência, outra crise de raiva, um dia de luz. Sinto, sinceramente, que estou perdendo algumas referências do que penso ser, não dá tempo de sentar. Nem de descansar. Nem de voltar a ser o que era. O cansaço é muito, mas as situações exigem atenção constante, intenção constante, cuidado constante, e não param.Tem sido assim pra mim, pro Dja, pro Pedro (e talvez pro Gabriel)Ou seja, a gente tem que se amparar, um não consegue se escorar no outro. Não dá pra ninguém ser tadinho.Tenho me irritado com coisas simples, tenho me emocionado com coisas simples. Hoje, o Pedro tentava cantar a música que ouvia no carro. Foi uma cena tão singela, tão linda, e nada romântica, no meio de tanta fúria, de tanto tsunami, era ali, naquele carro sujo da obra, nesse dia tão peculiar de trânsito horrível, nesse dia em que o Dja matava mais um leão (ou enfrentava suas feras interiores), nesse dia em que eu só queria colo e era colo de três – nesse dia, ele cantando no carro com a língua meio presa, me fez descongelar e perceber a delicadeza que existe em todas as coisas. Estou em contato com sentimentos tão intensos, tão viscerais, que esse momento de pluma pairou no ar por um instante, encheu meu coração de alegria, e no segundo seguinte estava de novo no turbilhão ainda lidando com essa emoção.Tudo ao mesmo tempo, tudo agora. Nada trágico. Muita consciência de tudo, inclusive das armadilhas, das próprias compulsões, do desejo de fugir desesperadamente pra longe de que nem eu sei. Fico, fico, fico, chacoalho, desreferencio, me permito ser outras, me permito ser raiva, ódio, perdão. Me permito descer, e assim acredito nas luzes. Não são luzes românticas, luzes do “querer-ver”, mas as luzes que brotam da escuridão. Descendo, se sobe de verdade.As verdades. Viver as verdades, sem maquiagens, sem preconceitos, fazer disso a meta, o propósito. Sentir orgulho pra poder se arrepender. Sentir que se sente sentimentos condenáveis. Querer fazer um muro de fuzilamento e no momento seguinte perceber a criança ferida por trás da metralhadora. Sentir a tristeza da frustração e mesmo assim ter que dar o próximo passo, até saber que essa tristeza é passageira. Sentir, sentir, sentir, errar, pedir desculpas, ver o mecanismo, tentar acertar, ter que ganhar dinheiro, ver o dinheiro ir embora mais rápido que se pode ganhar, daí ganhar um presente da vida, agradecer o presente, perceber um novo desafio, cuidar do filho, esquecer de cortar as unhas dele, esquecer a água no fogo, estar com a casa encaixotada há três meses, amar e ser amada, saber que há alguém do lado dividindo as aflições, dividindo o pior e o melhor de cada um, podendo falar disso sem medo de que o outro vai me abandonar pelo feio que às vezes sou, nem que vou abandonar o outro pelo feio que às vezes vejo, saber que a vida real é essa, valente, profunda, às vezes desmedida, e quando se chega nessa corrente só se pode pedir mais um pouco de ar até que se chegue na margem. E se possa ficar só um pouco, só um pouco, no sol.Acho que nunca senti uma corrente de vida passando tão intensamente por mim, por dentro de mim, crescendo em mim, transbordando, e com tanta auto-consciência. Nunca passei tanto tempo sem pedir colo de mãe, até porque nesse momento é ela quem também precisa. A cada passo, a cada “não agüento” (como não, se a gente segue?) a cada nova surpresa, novas perplexidades. Cuidando da casa, das crias, do mundo, tentando, nisso tudo, entender de onde venho, tentando, nisso tudo, desacorrentar os personagens internos e conviver com cada um. Perder o medo da escuridão, encarnar de vez. Existir. Estou deixando de ser, ou passando a ser.Agradeço. E é só.
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
dificuldade
ai, que quando me acusam...
ai.
voltade de correr
vontade de berrar injustiças,
intolerâncias,
incompreensão
berrar que não sou obrigada a cumprir com expectativas
berrar no orgulho ferido dos erros, talvez silenciosos, muitas vezes omissos.
erros de silêncio, fuga e omissão
talvez não tão violentos, externos,
mas que doem igual.
talvez reste ao outro o grito que me arranque de trás do muro
mas gritos me ferem.
não tinha eu o direito de estar ali?
mas a dor trazida pela acusação deflafra: dóis também o descaso da fuga. Dói a falta de acesso.
Dóis. em nós dois.
ai.
voltade de correr
vontade de berrar injustiças,
intolerâncias,
incompreensão
berrar que não sou obrigada a cumprir com expectativas
berrar no orgulho ferido dos erros, talvez silenciosos, muitas vezes omissos.
erros de silêncio, fuga e omissão
talvez não tão violentos, externos,
mas que doem igual.
talvez reste ao outro o grito que me arranque de trás do muro
mas gritos me ferem.
não tinha eu o direito de estar ali?
mas a dor trazida pela acusação deflafra: dóis também o descaso da fuga. Dói a falta de acesso.
Dóis. em nós dois.
ser guia
até onde ir?
a tênue corda. deixar o outro vivenciar o conflito, só intervir se ele fica sem saída.
e se quiser se jogar no abismo desconhecido? Impeço ou sugiro um pára-quedas, prudência?
interessante o tempo de escrever o que escuto, é a medida da paciência de ouvir, sem achar que se deve fazer algo imediatamente. o outro pode encontrar as próprias soluções. mas as encontrariam, se estivessem realmente sozinhos?
o guia talvez seja, então, a presença quase silenciosa que torna possível um diálogo. Uma co-presença de alguém que, caso tudo se trave, pode propor algo. Mas em caso de emergência, apenas.
ser guia é ouvir neutramente. só ser, do lado, suave, espectador de histórias, silêncios e tormentas.
lembrar que saídas são sempre possíveis.
lembrar que tudo se transforma
lembrar que tudo se move
a tênue corda. deixar o outro vivenciar o conflito, só intervir se ele fica sem saída.
e se quiser se jogar no abismo desconhecido? Impeço ou sugiro um pára-quedas, prudência?
interessante o tempo de escrever o que escuto, é a medida da paciência de ouvir, sem achar que se deve fazer algo imediatamente. o outro pode encontrar as próprias soluções. mas as encontrariam, se estivessem realmente sozinhos?
o guia talvez seja, então, a presença quase silenciosa que torna possível um diálogo. Uma co-presença de alguém que, caso tudo se trave, pode propor algo. Mas em caso de emergência, apenas.
ser guia é ouvir neutramente. só ser, do lado, suave, espectador de histórias, silêncios e tormentas.
lembrar que saídas são sempre possíveis.
lembrar que tudo se transforma
lembrar que tudo se move
domingo, 24 de maio de 2009
ele
o carceceiro
ele, na espreita
ele, sorrindo, olhando de lado. esperando o momento certo do bote.
ele, cheio de si e de críticas a mim
ele, vampiro
ele, traiçoeiro, sedutor
ele, jogando pra mim toda culpa do mundo.
ele, me julgando e condenando sempre minha falsa submissão
ele, me impedindo de ser plena e feliz
ele tirando o tapete
ele, cortando meus pés à entrada da morada
ele, jogando fumaça nas minhas certezas
ele, fingindo ser guia enquanto se diverte me mandando pra outro lado
ele, bússola que aponta pro sul.
ele, necessidade infantil de referência externa, ponto de referência de uma luta interminável e desigual.
ele, inimigo sempre evocado e projetado em humanos com rostos similares
ele, por que masculino?
ele, o perigo.
ele, na espreita
ele, sorrindo, olhando de lado. esperando o momento certo do bote.
ele, cheio de si e de críticas a mim
ele, vampiro
ele, traiçoeiro, sedutor
ele, jogando pra mim toda culpa do mundo.
ele, me julgando e condenando sempre minha falsa submissão
ele, me impedindo de ser plena e feliz
ele tirando o tapete
ele, cortando meus pés à entrada da morada
ele, jogando fumaça nas minhas certezas
ele, fingindo ser guia enquanto se diverte me mandando pra outro lado
ele, bússola que aponta pro sul.
ele, necessidade infantil de referência externa, ponto de referência de uma luta interminável e desigual.
ele, inimigo sempre evocado e projetado em humanos com rostos similares
ele, por que masculino?
ele, o perigo.
sábado, 23 de maio de 2009
culpa
ando me culpando imensamente por estar tão envolvida com algo tão meu: minha casa.
não estou dando muita atenção aos problemas do mundo, nem de ninguém
meus devaneios secundários são: tempo para ficar quieta, tempo para pensar na casa, para ler, para estar ao ar livre...
Compensações de que opressão? dessa própria culpa?
não faço - culpo-me - a culpa me oprime - fujo - faço ainda menos - culpo-me mais - a opressão é maior - etc etc etc
panela de pressão.
não estou dando muita atenção aos problemas do mundo, nem de ninguém
meus devaneios secundários são: tempo para ficar quieta, tempo para pensar na casa, para ler, para estar ao ar livre...
Compensações de que opressão? dessa própria culpa?
não faço - culpo-me - a culpa me oprime - fujo - faço ainda menos - culpo-me mais - a opressão é maior - etc etc etc
panela de pressão.
entre sonhos e devaneios
estou tão perdida entre imagens que não sei se o que busco é devaneio compensatório ou caminho concreto.
a iamgem move forte, isso é fato.
ontem, numa crise nervosa sobre o episódio no trabalho, percebi que minha raiva não era tanto pela "humilhação", porque eu nem considereva o tal chefe como tal, mas porque percebi que estava acomodada em um terreno estéril.
o que eu estou esperando para fazer o que devo fazer?
não que eu não esteja fazendo... mas ainda não é o foco principal. não é a fonte de renda, por ex.
será que eu estou perseguindo um mundo encantado?
panela de pressão interna.
imagem do castrador/carcereiro: masculino que não me deixa ser, que me aprisiona numa culpa obediente...
a iamgem move forte, isso é fato.
ontem, numa crise nervosa sobre o episódio no trabalho, percebi que minha raiva não era tanto pela "humilhação", porque eu nem considereva o tal chefe como tal, mas porque percebi que estava acomodada em um terreno estéril.
o que eu estou esperando para fazer o que devo fazer?
não que eu não esteja fazendo... mas ainda não é o foco principal. não é a fonte de renda, por ex.
será que eu estou perseguindo um mundo encantado?
panela de pressão interna.
imagem do castrador/carcereiro: masculino que não me deixa ser, que me aprisiona numa culpa obediente...
sexta-feira, 22 de maio de 2009
carta aberta àqueles que se dizem chefes
e àquele que se diz meu chefe.
você está me dizendo que devo me mover não por amor à educação e à criação (não vou nem dizer "arte", porque isso é feio no meio coorporativo), mas por medo de perder meu emprego - ou seja, pela sobrevivência?
você está me dizendo que devo temer o que vem do alto, assim como as religiões autoritárias disseram aos crentes obedientes, ao invés de usar meu cérebro e minha intenção?
você está me dizendo que o outro ao meu lado pode tomar meu lugar, ao invés de ser solidário e colaborativo?
você está me dizendo para ser obediente e calar a boca quando alguém "de cima" assim o ordena, mesmo que essa pessoa possa estar com uma visão limitada dos fatos?
você está me dizendo para obedecer um "organograma"como se essa fosse a ordem divina das coisas, como se o mundo estivesse assentado nessas leis e, especialmente, COMO SE OS HOMENS ESTIVESSEM ASSIM ORGANIZADOS?
Pra começar, todo mundo nasce pelado. A cor da pele muda, e isso não é credencial de diferenciação.
Sobrevivencia dos mais aptos serve à lei dos animais, mas ao contrário do que dizem os naturalistas e as teorias organizativas convenientemente derivadas disso, não sou animal porque sou dotada de cérebro e intenção, motor transformador da história.
não quero competir com o outro porque posso colaborar, e tenho livre-arbítrio para escolher, ao contrário dos leões e das bestas.
a palavra "obediência" é para burros e preguiçosos. e, óbvio, para os autoritários.
o fato de ter "impulsos animais" não é desculpa para se comportar como um. do mesmo jeito que o fato de ter dentes não é desculpas para arrancar um pedaço do outro. O engraçado é que uma coisa é aceitável, outra não. depende da conveniência.
você está me dizendo que devo me mover não por amor à educação e à criação (não vou nem dizer "arte", porque isso é feio no meio coorporativo), mas por medo de perder meu emprego - ou seja, pela sobrevivência?
você está me dizendo que devo temer o que vem do alto, assim como as religiões autoritárias disseram aos crentes obedientes, ao invés de usar meu cérebro e minha intenção?
você está me dizendo que o outro ao meu lado pode tomar meu lugar, ao invés de ser solidário e colaborativo?
você está me dizendo para ser obediente e calar a boca quando alguém "de cima" assim o ordena, mesmo que essa pessoa possa estar com uma visão limitada dos fatos?
você está me dizendo para obedecer um "organograma"como se essa fosse a ordem divina das coisas, como se o mundo estivesse assentado nessas leis e, especialmente, COMO SE OS HOMENS ESTIVESSEM ASSIM ORGANIZADOS?
Pra começar, todo mundo nasce pelado. A cor da pele muda, e isso não é credencial de diferenciação.
Sobrevivencia dos mais aptos serve à lei dos animais, mas ao contrário do que dizem os naturalistas e as teorias organizativas convenientemente derivadas disso, não sou animal porque sou dotada de cérebro e intenção, motor transformador da história.
não quero competir com o outro porque posso colaborar, e tenho livre-arbítrio para escolher, ao contrário dos leões e das bestas.
a palavra "obediência" é para burros e preguiçosos. e, óbvio, para os autoritários.
o fato de ter "impulsos animais" não é desculpa para se comportar como um. do mesmo jeito que o fato de ter dentes não é desculpas para arrancar um pedaço do outro. O engraçado é que uma coisa é aceitável, outra não. depende da conveniência.
de onde vem?
às vezes, eu me pergunto se o problema não estava no médico que me arrancou da barriga da minha mãe e me tirou o direito de fazer a passagem.
sim, eu estou puta.
sim, preciso me reconciliar com ele.
pode ter sido ignorância. pode ter sido medo. pode ter sido o melhor que ele poferia fazer. pode ter sido pressa. pode ter sido preguiça.
agora já foi. se vire com seu conteúdo.
o bom de fazer um blog só pra vc ler é poder voltar à adolescência depois dos 30 sem problema de imagem...
sim, eu estou puta.
sim, preciso me reconciliar com ele.
pode ter sido ignorância. pode ter sido medo. pode ter sido o melhor que ele poferia fazer. pode ter sido pressa. pode ter sido preguiça.
agora já foi. se vire com seu conteúdo.
o bom de fazer um blog só pra vc ler é poder voltar à adolescência depois dos 30 sem problema de imagem...
mais uma repetição...
Ontem tive uma reunião pentelha com "chefias". Essa é uma palavra que nnem com muita força gera imagens agradáveis no mu espaço de representação.
odeio chefes. Antes disso, odeio o conceito de chefe. Odeio organogramas. odeio porque é burro, anti-natural, anti-humanista e anti-producente.
fiquei com aquela já conhecida cara de "não-acredito-no-que-eu-estou-ouvindo". tentando transformar a raiva numa branda lucidez, coisa que não sei se é bom. às vezes é melhor explodir o barraco, coisa que eu nunca faço. porque eu sempre acho que o barraco vai dar abrigo em dias piores, em dias de tempestade. Aliás, essa é uma primeira repetição. Às vezes, é melhor deixar a casa cair, mas nunca tenho essa medida, e a retenção sempre toma a frente.
o problema, aí, além do clima básico de opressão, é a eterna cobrança. A historinha é assim: estou num coletivo qualquer (uns mais coletivos, outros agrupações individualistas), e num dado momento, algué se vira pra mim e pergunta: E aí, pra quando é aquilo que vc ia fazer? Em alguns casos, com certo rancor, cobrança ou sensação de injustiça. Como se eu tivesse rompido um pacto sagrado.
minha compulsão é: dá pra esperar o meu tempo de fazer as coisas? Dá pra entender que eu não sou rápida, que eu odeio fazer as coisas com pressa, que eu tenho problemas em termiar coisas no prazo, que etc etc...
às vezes, é isso mesmo. no fim, as coisas saem, mas no tempo interno, que muitas vezes não é o externo. Por que? é uma rebeldia interna, um contra-motor. ODEIO GENTE NO MEU PÉ! E estou usando a palavra odeio porque o registro é esse mesmo, é ódio, raiva, vontade de matar, tirar da frente quem fica com um relojinho me enchendo o saco. um clima de fundo fortíssimo.
é tão compulsivo que eu não tenho discernimento pra julgar se o sujeito que pressiona tem ou não razão. com medo de ser injusta (culpa), fico imóvel, morrendo de raiva e me culpando por não entregar no prazo o que às vezes prometi, e às vezes não (aí o prazo tá na cabeça do outro).
Por que eu me comprometo?
- por pressão do conjunto
- por pressão econômica
- por querer ser aceita
às vezes, nem me comprometi, e o outro achou que isso seria implíscito, óbvio, no trabalho. O prazo. Foi o que aconteceu ontem. Daí, por dificuldade de organização dos chefes, a pressão vai descendo, acelerada e intensificada pela lei da gravidade e pela carga de cada cu na reta. Vai se fuder!
Um puto "lá de cima"exagera na bebida, broxa, fica com má digestão e caganeira, solta um peido e quem está de baixo que se vire com essa merda toda!
VAI SE FUDER!
odeio chefes. Antes disso, odeio o conceito de chefe. Odeio organogramas. odeio porque é burro, anti-natural, anti-humanista e anti-producente.
fiquei com aquela já conhecida cara de "não-acredito-no-que-eu-estou-ouvindo". tentando transformar a raiva numa branda lucidez, coisa que não sei se é bom. às vezes é melhor explodir o barraco, coisa que eu nunca faço. porque eu sempre acho que o barraco vai dar abrigo em dias piores, em dias de tempestade. Aliás, essa é uma primeira repetição. Às vezes, é melhor deixar a casa cair, mas nunca tenho essa medida, e a retenção sempre toma a frente.
o problema, aí, além do clima básico de opressão, é a eterna cobrança. A historinha é assim: estou num coletivo qualquer (uns mais coletivos, outros agrupações individualistas), e num dado momento, algué se vira pra mim e pergunta: E aí, pra quando é aquilo que vc ia fazer? Em alguns casos, com certo rancor, cobrança ou sensação de injustiça. Como se eu tivesse rompido um pacto sagrado.
minha compulsão é: dá pra esperar o meu tempo de fazer as coisas? Dá pra entender que eu não sou rápida, que eu odeio fazer as coisas com pressa, que eu tenho problemas em termiar coisas no prazo, que etc etc...
às vezes, é isso mesmo. no fim, as coisas saem, mas no tempo interno, que muitas vezes não é o externo. Por que? é uma rebeldia interna, um contra-motor. ODEIO GENTE NO MEU PÉ! E estou usando a palavra odeio porque o registro é esse mesmo, é ódio, raiva, vontade de matar, tirar da frente quem fica com um relojinho me enchendo o saco. um clima de fundo fortíssimo.
é tão compulsivo que eu não tenho discernimento pra julgar se o sujeito que pressiona tem ou não razão. com medo de ser injusta (culpa), fico imóvel, morrendo de raiva e me culpando por não entregar no prazo o que às vezes prometi, e às vezes não (aí o prazo tá na cabeça do outro).
Por que eu me comprometo?
- por pressão do conjunto
- por pressão econômica
- por querer ser aceita
às vezes, nem me comprometi, e o outro achou que isso seria implíscito, óbvio, no trabalho. O prazo. Foi o que aconteceu ontem. Daí, por dificuldade de organização dos chefes, a pressão vai descendo, acelerada e intensificada pela lei da gravidade e pela carga de cada cu na reta. Vai se fuder!
Um puto "lá de cima"exagera na bebida, broxa, fica com má digestão e caganeira, solta um peido e quem está de baixo que se vire com essa merda toda!
VAI SE FUDER!
segunda-feira, 18 de maio de 2009
será?
Nesse últmo mês, digo o seguinte: Deu pau.
Pra começar, na gente. Nós 3 ficamos gripados, uma gripe chata, cheia de um catarro que agarra na garganta.
No meio disso, vieram arrumar a rede elétrica de casa - que já tinha dado pau faz tempo -aí esburacaram a parede e liberaram um pó centenário que zoou tudo.
Aí o carro deu panes elétricas seguidas.
Aí deu pau na rede sem fio.
Aí o Dja perdeu todas as fotos do hd.
Aí o caminhão caçamba passou na rua e detonou o cabo de internet e telefone
Aí a impressora tá imprimindo rosa o que deveria ser amarelo
Aí o teclado desse computador tá mais duro que máquina de escrever. Limpei pra caramba por causa do pó, será isso?
Dizem que quando a gente tá com o fígado carregado, dá pane elétrico. Sabe que pode ser?
Pra começar, na gente. Nós 3 ficamos gripados, uma gripe chata, cheia de um catarro que agarra na garganta.
No meio disso, vieram arrumar a rede elétrica de casa - que já tinha dado pau faz tempo -aí esburacaram a parede e liberaram um pó centenário que zoou tudo.
Aí o carro deu panes elétricas seguidas.
Aí deu pau na rede sem fio.
Aí o Dja perdeu todas as fotos do hd.
Aí o caminhão caçamba passou na rua e detonou o cabo de internet e telefone
Aí a impressora tá imprimindo rosa o que deveria ser amarelo
Aí o teclado desse computador tá mais duro que máquina de escrever. Limpei pra caramba por causa do pó, será isso?
Dizem que quando a gente tá com o fígado carregado, dá pane elétrico. Sabe que pode ser?
a permanência
é incrível.
o mais difícil da disciplina é a disciplina.
tenho visto que minha permanência para as coisas anda bem mais ou menos. Começo, aquela empolgação, de repente...
quando vi, tem quase um mês que não escrevo aqui. Antes, minha proposta era que fosse diário.
tentarei que seja, pelo menos até dia 31.
Coisas do centro emotivo, acho.
o mais difícil da disciplina é a disciplina.
tenho visto que minha permanência para as coisas anda bem mais ou menos. Começo, aquela empolgação, de repente...
quando vi, tem quase um mês que não escrevo aqui. Antes, minha proposta era que fosse diário.
tentarei que seja, pelo menos até dia 31.
Coisas do centro emotivo, acho.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
e aí, o tempo?
segunda-feira. só a semana que começa.
o prazo pra muita coisa se acabando, como sempre. pra pagar contas, pra fazer projetos, pra resolver pendências chatas que eu adio até o último minuto, entre outras milhares. Isso inclui o mundo, por causa das guerras e da ameaça nuclear, isso inclui as calotas polares, por causa do que todo mundo já sabe, isso inclui minha paciência pra tudo isso, isso inclui...
posso tomar um ar, por favor?
às vezes, dá vontade de fazer que nem o Hero, da série Heroes: congelar o tempo. Dá vontade de congelar só as ações filhas da puta e poder gozar um pouco e sem pressa as coisas boas - e são tantas! - desse mundo.
isso é culpa? é.
prepotência? é.
burrice? é.
mas eu sinto assim.
tem conserto?
o prazo pra muita coisa se acabando, como sempre. pra pagar contas, pra fazer projetos, pra resolver pendências chatas que eu adio até o último minuto, entre outras milhares. Isso inclui o mundo, por causa das guerras e da ameaça nuclear, isso inclui as calotas polares, por causa do que todo mundo já sabe, isso inclui minha paciência pra tudo isso, isso inclui...
posso tomar um ar, por favor?
às vezes, dá vontade de fazer que nem o Hero, da série Heroes: congelar o tempo. Dá vontade de congelar só as ações filhas da puta e poder gozar um pouco e sem pressa as coisas boas - e são tantas! - desse mundo.
isso é culpa? é.
prepotência? é.
burrice? é.
mas eu sinto assim.
tem conserto?
segunda-feira, 20 de abril de 2009
solto nos campos
existe um cavalo selvagem.
livre, correndo pelos campos de mim. ele me arranca de toda armadilha, ele relicha quando páro em certas encruzilhadas. Ele me leva. ele também me derruba. não me machuca, mas às vezes, me domina.
ele é o campo dos passos sem campo. ele gosta do vento na cara, na crina, por isso ele corre mesmo sem rumo. ele não pára no final dos tempos.
ele, rebelde, com ou sem causa. ele não se contenta com meia liberdade. ele não joga, ele não discute, ele vai pra onde quer ir. ele é foça que rasga fronteiras, ele não espera a coer~encia. ele vai, arebenta porteiras, fura obstáculos, e se os salta, é só por pura diversão.
ele confunde momentos estratégicos. ele conduz, sem rédeas, os desejos. ele só pára por livre vontade, na sombra descansa, na brisa da tarde.
ele, domado,chora a raiva dos tempos. ele, nunca domado. ele, nas rédeas, só pensa em sair. eu finjo certeza, ele me derruba.
ele, selvagem, precisa ver futuro, pasto, espaço para correr, porta de saída. selvagem e dócil pra quem o respeita. ninguém o domina, mas ele compartilha. ele, tinhoso, aceita nas costas somente outro espírito livre, que com ele vai, que ele não domina, que ele respeita, que dele gosta.
ele, selvagem, entende a língua do silêncio. é surdo a promessas, jogos de palavras, promessas de poder. ele já tem o que quer: ser ele e só. nada o seduz, porque tudo tem.
ele domina, se eu não cuido. em certos momentos, ele é fúria sem meta.
paixão sem nome, ou sem direção.
da força do vento, toma a morada.
deflagra a mentira, o véu, o vazio
livre, correndo pelos campos de mim. ele me arranca de toda armadilha, ele relicha quando páro em certas encruzilhadas. Ele me leva. ele também me derruba. não me machuca, mas às vezes, me domina.
ele é o campo dos passos sem campo. ele gosta do vento na cara, na crina, por isso ele corre mesmo sem rumo. ele não pára no final dos tempos.
ele, rebelde, com ou sem causa. ele não se contenta com meia liberdade. ele não joga, ele não discute, ele vai pra onde quer ir. ele é foça que rasga fronteiras, ele não espera a coer~encia. ele vai, arebenta porteiras, fura obstáculos, e se os salta, é só por pura diversão.
ele confunde momentos estratégicos. ele conduz, sem rédeas, os desejos. ele só pára por livre vontade, na sombra descansa, na brisa da tarde.
ele, domado,chora a raiva dos tempos. ele, nunca domado. ele, nas rédeas, só pensa em sair. eu finjo certeza, ele me derruba.
ele, selvagem, precisa ver futuro, pasto, espaço para correr, porta de saída. selvagem e dócil pra quem o respeita. ninguém o domina, mas ele compartilha. ele, tinhoso, aceita nas costas somente outro espírito livre, que com ele vai, que ele não domina, que ele respeita, que dele gosta.
ele, selvagem, entende a língua do silêncio. é surdo a promessas, jogos de palavras, promessas de poder. ele já tem o que quer: ser ele e só. nada o seduz, porque tudo tem.
ele domina, se eu não cuido. em certos momentos, ele é fúria sem meta.
paixão sem nome, ou sem direção.
da força do vento, toma a morada.
deflagra a mentira, o véu, o vazio
quinta-feira, 16 de abril de 2009
o meio
certas histórias poderiam ser vividas só no meio.
sem início, sem fim
às vezes é bom viver sem prólogo, sem saber de amanhã.
sem início, sem fim
às vezes é bom viver sem prólogo, sem saber de amanhã.
sexta-feira, 10 de abril de 2009
corrente
imagine um rio
e, como uma foto, num instante dessa corrente congelada, um rosto.
na linha da eternidade, um eu existente.
um rosto frágil, porque é parte de algo na iminência da mudança, de transfiguração em nova forma na água.
um equilíbrio instável.
imagine um rio
sem correntes congeladas, mas todos os rostos possíveis passando livres pela correnteza
alternando-se, sem medo da dissolução,
porque, visto um pouco mais de trás,
o rio tem margens firmes, forma precisa,
e destino certo: o oceano.
e, como uma foto, num instante dessa corrente congelada, um rosto.
na linha da eternidade, um eu existente.
um rosto frágil, porque é parte de algo na iminência da mudança, de transfiguração em nova forma na água.
um equilíbrio instável.
imagine um rio
sem correntes congeladas, mas todos os rostos possíveis passando livres pela correnteza
alternando-se, sem medo da dissolução,
porque, visto um pouco mais de trás,
o rio tem margens firmes, forma precisa,
e destino certo: o oceano.
sábado, 4 de abril de 2009
a relação mágica com o mundo
tenho me interessado por literatura fantástica.
tenho me interessado, inclusive, por harry potter.
tenho percebido que grande parte dessa literatura está nas prateleiras de "literatura juvenil".
no curso sobre tolkien, aprendi que por ter escrito "o senhor dos anéis"ele era considerado pouco sério por alguns.
tenho percebido, para minha surpresa, que muito da aventura da vida se limita até os vinte e poucos anos. no imaginário do sistema, digo.
tenho tentado perceber se só gosto de ler, ou também se escrever.
tenho sentido impulsos fortes de radicalizar alguns aspectos de minha vida. assumir de vez algumas facetas.
talvez isso se misture com a casa nova.
mas voltando ao tema: tenho percebido que a relação mágica com o mundo tem prazo de validade. e esse prazo está dentro de mim.
vou precisar escrever muito sobre isso. aliás, é sobre o que quero escrever.
tenho me interessado, inclusive, por harry potter.
tenho percebido que grande parte dessa literatura está nas prateleiras de "literatura juvenil".
no curso sobre tolkien, aprendi que por ter escrito "o senhor dos anéis"ele era considerado pouco sério por alguns.
tenho percebido, para minha surpresa, que muito da aventura da vida se limita até os vinte e poucos anos. no imaginário do sistema, digo.
tenho tentado perceber se só gosto de ler, ou também se escrever.
tenho sentido impulsos fortes de radicalizar alguns aspectos de minha vida. assumir de vez algumas facetas.
talvez isso se misture com a casa nova.
mas voltando ao tema: tenho percebido que a relação mágica com o mundo tem prazo de validade. e esse prazo está dentro de mim.
vou precisar escrever muito sobre isso. aliás, é sobre o que quero escrever.
o corpo, a luta
eis o tema, novamente.
tentando não ser uma briga
tentando não ser sacrifício,
só sacro ofício de estar bem em si mesma
tentando descondicionar o que sempre foi uma briga
tentando descondicionar o boicote de ser quem se quer sem, com isso, avassalar que se está sendo
vencer a compulsão do hábito sem que seja disputa
vencer: conseguir prevalecer a vontade sobre a compulsão.
compulsão do que?
compensação do que?
tensões carregadas.
percebo que os momentos em que faço coisas menos dispersas são mais saudáveis e "magros". deixar pra trás inutilidades. deixar pra trás o que já está atrás. o fracasso não-declarado pesa.
o estúdio.
a vida demasiadamente cara.
a ação social pelo social, imagem de si.
reuniões, reuniões e reuniões
problemas de relação fundamentados no ego
tentando não ser uma briga
tentando não ser sacrifício,
só sacro ofício de estar bem em si mesma
tentando descondicionar o que sempre foi uma briga
tentando descondicionar o boicote de ser quem se quer sem, com isso, avassalar que se está sendo
vencer a compulsão do hábito sem que seja disputa
vencer: conseguir prevalecer a vontade sobre a compulsão.
compulsão do que?
compensação do que?
tensões carregadas.
percebo que os momentos em que faço coisas menos dispersas são mais saudáveis e "magros". deixar pra trás inutilidades. deixar pra trás o que já está atrás. o fracasso não-declarado pesa.
o estúdio.
a vida demasiadamente cara.
a ação social pelo social, imagem de si.
reuniões, reuniões e reuniões
problemas de relação fundamentados no ego
terça-feira, 17 de março de 2009
o joelho
hoje, na acupuntura, a Flavia espetou meu joelho e eu urrei de dor. ele anda bem inflexível.
joelho=orgulho
para quem me ajoelharia? quem, que causa, mereceria minha devoção e entrega?
o que é, realmente, se entregar? entregar o controle ou direcionar a própria vida a um fim?
há algo muito mal gravado aí.
há uma desconfiança, uma descrença, uma proteção.
há um orgulho, e quando conveniente, uma falsa submissão hipócrita, sempre acompanhada de um plano de motim.
não há descanso, é uma guerra constante. quem vai tomar meu poder?
há um julgamento feroz ao erro. há uma violência ao julgar.
há um apoio neste orgulho. Como se, se não fosse ele, já não seria nada. ou puramente uma serva.
ele me põe de pé, mas enrijece minhas pernas. faz do erro um desastre, não um aprendizado. e faz de mim uma déspota, se quem erra é o outro.
joelho=orgulho
para quem me ajoelharia? quem, que causa, mereceria minha devoção e entrega?
o que é, realmente, se entregar? entregar o controle ou direcionar a própria vida a um fim?
há algo muito mal gravado aí.
há uma desconfiança, uma descrença, uma proteção.
há um orgulho, e quando conveniente, uma falsa submissão hipócrita, sempre acompanhada de um plano de motim.
não há descanso, é uma guerra constante. quem vai tomar meu poder?
há um julgamento feroz ao erro. há uma violência ao julgar.
há um apoio neste orgulho. Como se, se não fosse ele, já não seria nada. ou puramente uma serva.
ele me põe de pé, mas enrijece minhas pernas. faz do erro um desastre, não um aprendizado. e faz de mim uma déspota, se quem erra é o outro.
mecanismo da mecânica
Repetição:
armar mal alguma coisa
por que?
por preguiça de pensar, por querer segurar tudo, por incluir outros no plano sem consultá-los, por estar com arrastre de etapa. Em suma, estar em algo que não deveria, ou não gostaria, mas não consegui desapegar nem dizer não.
e aí?
algo sai mal, fora do previsto: um acidente.
algo que provavelmente seria previsto se eu estivesse armado bem a coisa, me precavido, etc e tal
acontece alguma merda
as partes envolvidas ficam furiosas comigo
há um julgamento/condenação ou
há uma traição
fico arrasada
sinto-me vítima
condeno-me também.
efeitos colaterais: orgulho, desconfiança
Em alguns casos, as outras partes são mais tolerantes, e o desfecho não é tão radical, como no episódio das fotos para o catálogo. Mas reconheço minha postura como desesperadamente autoritária. uma imposição para que as outras partes arquem com as consequências da minha contradição.
por isso, às vezes me chamam de egoísta, preguiçosa. Deixo as pessoas à minha mercê, e depois as deixo na mão.
ou
em alguns casos, forço uma situação.
armar mal alguma coisa
por que?
por preguiça de pensar, por querer segurar tudo, por incluir outros no plano sem consultá-los, por estar com arrastre de etapa. Em suma, estar em algo que não deveria, ou não gostaria, mas não consegui desapegar nem dizer não.
e aí?
algo sai mal, fora do previsto: um acidente.
algo que provavelmente seria previsto se eu estivesse armado bem a coisa, me precavido, etc e tal
acontece alguma merda
as partes envolvidas ficam furiosas comigo
há um julgamento/condenação ou
há uma traição
fico arrasada
sinto-me vítima
condeno-me também.
efeitos colaterais: orgulho, desconfiança
Em alguns casos, as outras partes são mais tolerantes, e o desfecho não é tão radical, como no episódio das fotos para o catálogo. Mas reconheço minha postura como desesperadamente autoritária. uma imposição para que as outras partes arquem com as consequências da minha contradição.
por isso, às vezes me chamam de egoísta, preguiçosa. Deixo as pessoas à minha mercê, e depois as deixo na mão.
ou
em alguns casos, forço uma situação.
sexta-feira, 13 de março de 2009
quinta-feira, 12 de março de 2009
estados
será que algum dia conseguirei estar neste estado sem porteiores efeitos colaterais?
autocensura zero...na camiseta é mais fácil.
autocensura zero...na camiseta é mais fácil.
domingo, 8 de março de 2009
O 8 de Março e a Crônica repetição
Domingo de sol e a volta do calor insuportável que só deu trégua ontem.
Acordamos com um programa: a Marcha das Mulheres na Av. Paulista. Começava às 10, chegamos às 11. Eis mais uma repetição, mas é a primeira vez que eu a registro assim, claramente.
Pra começar, não queria ir. Não tinha a menor vontade de ficar debaixo do sol quente agitando bandeiras, não é a minha praia. Faz muito tempo que não faço isso com convicção, acho que a única vez que fiz foi no impeachment do Collor. Não gosto de palavras de ordem, de carro de som, e principalmente, da sensação de que, cada vez mais, a diferença entre algumas manifestações e balcão de reclamações ao consumidor é a mesma. Você reclama, reclama, mas continua dando aval pros poderes estabelecidos.
Não estou aqui tirando sarro do trabalho alheio, certamente tinha muita gente de boa fé, com causas justas, e certamente há muita violência e absurdos contra a mulher que PRECISAM ser denunciados. O problema, pra mim, é a forma. E ficar perseguindo um carro de som esperando sua vez de falar, de “dar o recadinho em nome da minha organização”, e especialmente dando outro aval para outro microsisteminha de poderes que acaba se instaurando - o microfone.
Isso fora ouvir coisas como “lugar de imperialista é na frente do fuzil”, coisa mais vaga que a merda, contraditória, leviana. Estão tirando os nossos empregos! Aí me lembra o Brecht, na Ópera dos Três Vinténs: “O que é um assalto a banco, comparado à fundação de um banco? O que é um assassinato de um homem, comparado à contratação deste mesmo homem?” Ficar falando de emprego é dar munição pros filhos da puta que querem tomar conta. É tudo o que eles querem pra chantagear os governos, pra pegar MAIS dinheiro público, pra explorar MAIS GENTE, pra mudar MAIS as legislações trabalhistas. Pra não DEMITIR.
Enfim, o tema aqui é outro. Mas ouvindo aquela mesma musiquinha de sempre, lembrei do campeonato de interclasse na escola, em que a gente cantava: “É canja, é canja, é canja de galinha. Arranja outro time pra jogar na nossa linha!” Ou seja, é um time contra o outro. BANDOS, BANDOS, BANDOS.
E foi interessante lembrar da escola. Porque vi que tudo isso é uma repetição desde essa época: a COMPULSÃO DE PERTENCER.
Então foi assim foi a comédia de erros.
1) Eu estar lá. Não queria, mas fui. Sabe por que? Para não “ficar feio pra turma.”Só por isso. Pra ninguém (ou eu mesma) me acusar de individualista, de egoísta, afinal, não sou humanista?
2) Não avisar pro Dja que tinham me pedido pra gravar a coisa. Eu omiti mesmo, não adianta dizer que esqueci de falar, porque não quis criar conflito. Pensei: O pessoal vai estar lá, eu gravo, fotografo e vou embora. Bem, não foi o que aconteceu. Logo percebi que esse microfone não seria liberado logo, que teria que acompanhar a marcha na descida da Brigadeiro morro abaixo até sabe-se-lá onde, do lado do carro de som ouvindo aqueles gritos todos para não "peder a hora que elas iriam falar".
Aí, imagine o quadro: ele, puto, com o Pedro no colo, sentindo-se traído. E não tiro sua razão.
Foi com o Pedro me esperar lá na Fnac (sábia decisão), e eu já via a fumaça preta saindo da cabeça dele. Aí pergunta: se eu não queria estar lá, por que não fui embora?
Por quê?
Ah, porque já tinha me comprometido.
Por quê?
Altruísmo? Sacrifício? A causa? Não. PUTA PROBLEMA DE IMAGEM DE SI.
Pra ninguém (ou eu mesma) me acusar de individualista, de egoísta, de comodista. Afinal, não sou humanista?
Aí fiquei naquele lugar escroto: Maria-vai-com-as-outras. Fazendo o possível para “ser in”, seja lá qual seja a turma. Atropelando minha vontade, atropelando os outros, porque não conseguia não ceder à compulsão de agradar. Só quando, já lá na puta-que-o-pariu do deixa-que-eu -empurro, as meninas conseguiram falar quase à força, e eu fiz umas imagens lindinhas pra justificar toda a merda que tinha sido aquilo e a tensão aliviou: “agora já estou livre pra ir”, pensei.
E quem me prendia ali?
Aí, com as costas gritando, a lombar doendo e um gosto de contradição, lá fui eu tentar agradar à outra parte ferida. Por sorte, um lampejo de lucidez me tomou no caminho de volta (viva o autoconhecimento!) e não fiquei tentando justificar meus atos. Nem me culpando por isso. Só reconheci, para o Dja, que continuava puto, minha compulsão. Era o mínimo que podia fazer, mas o máximo que poderia fazer também.
E no caminho de volta, percebi que esse lugar é antigo. Vi na minha biografia. O que as amigas iriam pensar, o que meu pai iria pensar, o que minha mãe iria pensar... todas as fontes de afeto e reconhecimento, TODAS. Se eu contrariasse alguma, iria ser punida com O PIOR: o EXÍLIO.
Lembro da pressão que sentia pra transar com o namorado (as amigas) e pra não transar com o namorado (pais). Por sorte, o próprio não me enchia o saco com isso, e esperou paciente minha decisão. Mas lembro exatamente da sensação de NÃO ESTAR BEM EM LUGAR NENHUM. NÃO HAVIA COMO AGRADAR A TODOS, NEM COMO ME AGRADAR. Horrível, horrível.
É quase como “ser eu mesma era pecado”. OBEDIÊNCIA OU EXÍLIO. DESAMOR. REPROVAÇÃO. GONGO. PÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉ – OUT.
Agradeço ao meu guia por essa compreensão. Agradeço o direito ao não.
Agradeço ter percebido que aí tem muita coisa que não me deixa avançar. “você é egoísta”é uma frase que reverbera desde remotos tempos. “todo mundo, menos eu” também.
Ter que ir sem querer ir, ou querer ir, sem poder ir.
Um desencontro total. Foi aí que perdi minha bússola. Negociei meu ser pelo afeto que pensava receber. que precisava receber
Importante, agora, é estar atento para não fazer isso com outro. Trocar carinho por obediência, medalha de honra ao mérito. Amar o outro na sua “desobediência às minhas expectativas”é um grande antídoto para isso. Respeitar as razões do outro, por mais que me pareçam fracas, fúteis, fugas, é outro grande exercício.
E perceber tudo isso já é um grande começo.
Acordamos com um programa: a Marcha das Mulheres na Av. Paulista. Começava às 10, chegamos às 11. Eis mais uma repetição, mas é a primeira vez que eu a registro assim, claramente.
Pra começar, não queria ir. Não tinha a menor vontade de ficar debaixo do sol quente agitando bandeiras, não é a minha praia. Faz muito tempo que não faço isso com convicção, acho que a única vez que fiz foi no impeachment do Collor. Não gosto de palavras de ordem, de carro de som, e principalmente, da sensação de que, cada vez mais, a diferença entre algumas manifestações e balcão de reclamações ao consumidor é a mesma. Você reclama, reclama, mas continua dando aval pros poderes estabelecidos.
Não estou aqui tirando sarro do trabalho alheio, certamente tinha muita gente de boa fé, com causas justas, e certamente há muita violência e absurdos contra a mulher que PRECISAM ser denunciados. O problema, pra mim, é a forma. E ficar perseguindo um carro de som esperando sua vez de falar, de “dar o recadinho em nome da minha organização”, e especialmente dando outro aval para outro microsisteminha de poderes que acaba se instaurando - o microfone.
Isso fora ouvir coisas como “lugar de imperialista é na frente do fuzil”, coisa mais vaga que a merda, contraditória, leviana. Estão tirando os nossos empregos! Aí me lembra o Brecht, na Ópera dos Três Vinténs: “O que é um assalto a banco, comparado à fundação de um banco? O que é um assassinato de um homem, comparado à contratação deste mesmo homem?” Ficar falando de emprego é dar munição pros filhos da puta que querem tomar conta. É tudo o que eles querem pra chantagear os governos, pra pegar MAIS dinheiro público, pra explorar MAIS GENTE, pra mudar MAIS as legislações trabalhistas. Pra não DEMITIR.
Enfim, o tema aqui é outro. Mas ouvindo aquela mesma musiquinha de sempre, lembrei do campeonato de interclasse na escola, em que a gente cantava: “É canja, é canja, é canja de galinha. Arranja outro time pra jogar na nossa linha!” Ou seja, é um time contra o outro. BANDOS, BANDOS, BANDOS.
E foi interessante lembrar da escola. Porque vi que tudo isso é uma repetição desde essa época: a COMPULSÃO DE PERTENCER.
Então foi assim foi a comédia de erros.
1) Eu estar lá. Não queria, mas fui. Sabe por que? Para não “ficar feio pra turma.”Só por isso. Pra ninguém (ou eu mesma) me acusar de individualista, de egoísta, afinal, não sou humanista?
2) Não avisar pro Dja que tinham me pedido pra gravar a coisa. Eu omiti mesmo, não adianta dizer que esqueci de falar, porque não quis criar conflito. Pensei: O pessoal vai estar lá, eu gravo, fotografo e vou embora. Bem, não foi o que aconteceu. Logo percebi que esse microfone não seria liberado logo, que teria que acompanhar a marcha na descida da Brigadeiro morro abaixo até sabe-se-lá onde, do lado do carro de som ouvindo aqueles gritos todos para não "peder a hora que elas iriam falar".
Aí, imagine o quadro: ele, puto, com o Pedro no colo, sentindo-se traído. E não tiro sua razão.
Foi com o Pedro me esperar lá na Fnac (sábia decisão), e eu já via a fumaça preta saindo da cabeça dele. Aí pergunta: se eu não queria estar lá, por que não fui embora?
Por quê?
Ah, porque já tinha me comprometido.
Por quê?
Altruísmo? Sacrifício? A causa? Não. PUTA PROBLEMA DE IMAGEM DE SI.
Pra ninguém (ou eu mesma) me acusar de individualista, de egoísta, de comodista. Afinal, não sou humanista?
Aí fiquei naquele lugar escroto: Maria-vai-com-as-outras. Fazendo o possível para “ser in”, seja lá qual seja a turma. Atropelando minha vontade, atropelando os outros, porque não conseguia não ceder à compulsão de agradar. Só quando, já lá na puta-que-o-pariu do deixa-que-eu -empurro, as meninas conseguiram falar quase à força, e eu fiz umas imagens lindinhas pra justificar toda a merda que tinha sido aquilo e a tensão aliviou: “agora já estou livre pra ir”, pensei.
E quem me prendia ali?
Aí, com as costas gritando, a lombar doendo e um gosto de contradição, lá fui eu tentar agradar à outra parte ferida. Por sorte, um lampejo de lucidez me tomou no caminho de volta (viva o autoconhecimento!) e não fiquei tentando justificar meus atos. Nem me culpando por isso. Só reconheci, para o Dja, que continuava puto, minha compulsão. Era o mínimo que podia fazer, mas o máximo que poderia fazer também.
E no caminho de volta, percebi que esse lugar é antigo. Vi na minha biografia. O que as amigas iriam pensar, o que meu pai iria pensar, o que minha mãe iria pensar... todas as fontes de afeto e reconhecimento, TODAS. Se eu contrariasse alguma, iria ser punida com O PIOR: o EXÍLIO.
Lembro da pressão que sentia pra transar com o namorado (as amigas) e pra não transar com o namorado (pais). Por sorte, o próprio não me enchia o saco com isso, e esperou paciente minha decisão. Mas lembro exatamente da sensação de NÃO ESTAR BEM EM LUGAR NENHUM. NÃO HAVIA COMO AGRADAR A TODOS, NEM COMO ME AGRADAR. Horrível, horrível.
É quase como “ser eu mesma era pecado”. OBEDIÊNCIA OU EXÍLIO. DESAMOR. REPROVAÇÃO. GONGO. PÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉ – OUT.
Agradeço ao meu guia por essa compreensão. Agradeço o direito ao não.
Agradeço ter percebido que aí tem muita coisa que não me deixa avançar. “você é egoísta”é uma frase que reverbera desde remotos tempos. “todo mundo, menos eu” também.
Ter que ir sem querer ir, ou querer ir, sem poder ir.
Um desencontro total. Foi aí que perdi minha bússola. Negociei meu ser pelo afeto que pensava receber. que precisava receber
Importante, agora, é estar atento para não fazer isso com outro. Trocar carinho por obediência, medalha de honra ao mérito. Amar o outro na sua “desobediência às minhas expectativas”é um grande antídoto para isso. Respeitar as razões do outro, por mais que me pareçam fracas, fúteis, fugas, é outro grande exercício.
E perceber tudo isso já é um grande começo.
sábado, 7 de março de 2009
não é incrível?
Bom, eu ando às voltas com esses questionamentos sobre o corpo e etc. e me culpando por deixar ele pra trás, por não dar a ele a devida importância mesmo sabendo da devida importância, etc, etc.
Pois bem. O Pedro anda com uma paixão pelos livros da estante. Pega vários e joga no chão, abre, vê as letras, fecha, depois se interessa por outra coisa e deixa-os lá. Numa dessas, tropecei num livro chamado "O Corpo Tem Suas Razões", de Therese Bertherat e Carol Bernstein. Deve ser um livro do Dja, eu nunca tinha visto.
Claro...ela fala tudo o que eu queria "ouvir". Estou devorando o livro, é maravilhoso. Me faz lembrar da minha frase no começo do último retiro que fizemos..."pra mim, a psicofísica é a parte menos importante. O autoconhecimento sim, dá trabalho." É bom reconhecer ignorâncias, ainda mais quando isso nos ajuda a avançar.
Só quis deixar registrada a sincronicidade. Agradeço à minha falta de rigidez na educação do Pedro, permitindo certas bagunças...e agradeço a ele, claro, por me ensinar a ver de verdade coisas que literalmente estão bem debaixo do nariz.
Salve, Pedro querido, que no seu afã de descobertas, me permitiu também descobrir outros mundos.
Pois bem. O Pedro anda com uma paixão pelos livros da estante. Pega vários e joga no chão, abre, vê as letras, fecha, depois se interessa por outra coisa e deixa-os lá. Numa dessas, tropecei num livro chamado "O Corpo Tem Suas Razões", de Therese Bertherat e Carol Bernstein. Deve ser um livro do Dja, eu nunca tinha visto.
Claro...ela fala tudo o que eu queria "ouvir". Estou devorando o livro, é maravilhoso. Me faz lembrar da minha frase no começo do último retiro que fizemos..."pra mim, a psicofísica é a parte menos importante. O autoconhecimento sim, dá trabalho." É bom reconhecer ignorâncias, ainda mais quando isso nos ajuda a avançar.
Só quis deixar registrada a sincronicidade. Agradeço à minha falta de rigidez na educação do Pedro, permitindo certas bagunças...e agradeço a ele, claro, por me ensinar a ver de verdade coisas que literalmente estão bem debaixo do nariz.
Salve, Pedro querido, que no seu afã de descobertas, me permitiu também descobrir outros mundos.
7 pecados 2 - preguiça, o corpo, a casa.
Detectei uma coisa estranha. estou meio "de mal"com o corpo.
talvez por ter passado muito tempo preocupada com um padrão, tendo que fazer dieta, tendo que fazer ginástica, tendo que.
algo ficou mal gravado aí.
algo que se tornou uma resistência grande a tudo o que vem do corpo. inclusive, a respiração.
é coisa antiga, de alguns anos. vou postergando o momento de "arrumar a casa".
eis que é chegado o momento, porque é o que eu mais sinto falta. estou acima do peso, com dorzinhas musculares chatinhas e esparramadas e uma sensação de contradição por não estar cuidando devidamente dele, do corpo, da minha casa.
arrumar a casa, fazer manutenção, ginástica, coisas assim me soam perda de tempo. sei que não são, mas é como está gravado. o tema, agora, é subverter a subversão de todos os anos em que me obriguei, por um modelo estúpido de beleza, a colocar meu corpo em função dessa estética. Agora ele pede paz, pede dionisio, menos esparta, e eu tenho que lidar com isso sem as consequências do exagero.
é uma disciplina. é um trabalhinho, e desses que não dá mais pra adiar.
tenho a impressão de que se eu não fizer isso, outras coisas não vão caminhar.
Isso é PREGUIÇA, então? RESISTÊNCIA AO MOVIMENTO?
talvez por ter passado muito tempo preocupada com um padrão, tendo que fazer dieta, tendo que fazer ginástica, tendo que.
algo ficou mal gravado aí.
algo que se tornou uma resistência grande a tudo o que vem do corpo. inclusive, a respiração.
é coisa antiga, de alguns anos. vou postergando o momento de "arrumar a casa".
eis que é chegado o momento, porque é o que eu mais sinto falta. estou acima do peso, com dorzinhas musculares chatinhas e esparramadas e uma sensação de contradição por não estar cuidando devidamente dele, do corpo, da minha casa.
arrumar a casa, fazer manutenção, ginástica, coisas assim me soam perda de tempo. sei que não são, mas é como está gravado. o tema, agora, é subverter a subversão de todos os anos em que me obriguei, por um modelo estúpido de beleza, a colocar meu corpo em função dessa estética. Agora ele pede paz, pede dionisio, menos esparta, e eu tenho que lidar com isso sem as consequências do exagero.
é uma disciplina. é um trabalhinho, e desses que não dá mais pra adiar.
tenho a impressão de que se eu não fizer isso, outras coisas não vão caminhar.
Isso é PREGUIÇA, então? RESISTÊNCIA AO MOVIMENTO?
sexta-feira, 6 de março de 2009
7 pecados capitais 1 - o egoísmo
não é pecado capital oficial. Mas já me acusaram desse algumas vezes.
na tentativa neutra de dar voltas sobre essas acusações, procuro refletir sobre isso.
não suporto ninguém me dando ordens.
nem me dizendo o que fazer (parece a mesma coisa, mas não é)
nem se fazendo de vítima (parece coisa diferente, mas às vezes é igual ao primeiro item)
me colocando prazos e cobrando os prazos
me culpando de algo que eu fiz
me julgando (por mais que eu esteja errada) - esse vem antes do anterior
me segurando
me obrigando a estar no coletivo quando quero estar só, e quieta
também não gosto de ficar "presa"em discussões infrutíferas. Nem em coletivos que exigem exclusividade. Nem no seio familiar. nem em lugar nenhum, a não ser que eu tenha optado por isso.
não gosto de ser burocrática nem de ajudar em funções burocráticas (e até faço isso por um bem maior)
não gosto de mediocridade (apesar de me reconhecer medíocre algumas vezes)
não gosto de ser servil. não tenho vocação pra partner nem assistente nem garçonete. muito menos secretária. a não ser que seja uma troca, e eu esteja aprendendo bastante. Mas aí o termo é "aprendiz".
não gosto de esperar pelo momento em que o outro vai decidir algo que me inclui. nem esperar telefonema, que é um exemplo banal disso. aliás, odeio levar bolo.
não gosto de sentir culpa. e sinto muita, sei lá por que.
não gosto de ir num lugar ou fazer alguma coisa porque "todo mundo vai", porque "seria bom". Gosto de fazer se sinto o impulso de fazer. E esse é um tema mal resolvido, porque de tanto querer agradar às vezes nem sei mais o que é meu e o que é do outro.
o que é egoísmo? tudo isso? alguma coisa disso? enfim...
na tentativa neutra de dar voltas sobre essas acusações, procuro refletir sobre isso.
não suporto ninguém me dando ordens.
nem me dizendo o que fazer (parece a mesma coisa, mas não é)
nem se fazendo de vítima (parece coisa diferente, mas às vezes é igual ao primeiro item)
me colocando prazos e cobrando os prazos
me culpando de algo que eu fiz
me julgando (por mais que eu esteja errada) - esse vem antes do anterior
me segurando
me obrigando a estar no coletivo quando quero estar só, e quieta
também não gosto de ficar "presa"em discussões infrutíferas. Nem em coletivos que exigem exclusividade. Nem no seio familiar. nem em lugar nenhum, a não ser que eu tenha optado por isso.
não gosto de ser burocrática nem de ajudar em funções burocráticas (e até faço isso por um bem maior)
não gosto de mediocridade (apesar de me reconhecer medíocre algumas vezes)
não gosto de ser servil. não tenho vocação pra partner nem assistente nem garçonete. muito menos secretária. a não ser que seja uma troca, e eu esteja aprendendo bastante. Mas aí o termo é "aprendiz".
não gosto de esperar pelo momento em que o outro vai decidir algo que me inclui. nem esperar telefonema, que é um exemplo banal disso. aliás, odeio levar bolo.
não gosto de sentir culpa. e sinto muita, sei lá por que.
não gosto de ir num lugar ou fazer alguma coisa porque "todo mundo vai", porque "seria bom". Gosto de fazer se sinto o impulso de fazer. E esse é um tema mal resolvido, porque de tanto querer agradar às vezes nem sei mais o que é meu e o que é do outro.
o que é egoísmo? tudo isso? alguma coisa disso? enfim...
dúvidas
gostar de comer um bolo=gostar de fazer um bolo?
não necessariamente
eis uma das questões.
uma questão relacionada a quem sou e pra onde vou.
descobri que confundo muito as 2 coisas.
não necessariamente
eis uma das questões.
uma questão relacionada a quem sou e pra onde vou.
descobri que confundo muito as 2 coisas.
quinta-feira, 5 de março de 2009
libertas quae sera
No auto-exílio da descrença
lá, ela aguarda.
correntes já gastas. nada mais a prende.
lá, ela aguarda.
quem espera?
que guarda?
inquisição de tempos anteriores?
resquício de tempos passados?
já renasceu de corpo,
falta parte da alma - girar e nascer
livre.
lá, ela aguarda.
correntes já gastas. nada mais a prende.
lá, ela aguarda.
quem espera?
que guarda?
inquisição de tempos anteriores?
resquício de tempos passados?
já renasceu de corpo,
falta parte da alma - girar e nascer
livre.
insônia
São 5:26 da manhã. O Pedro acordou, como sempre, e eu não consegui voltar a dormir.
dor na lombar. o corpo pesa.
dor na cervical. a cabeça pesa. as contas pesam. as coisas chatas da rotina pesam. o dever pesa. penso o tempo e o desgaste que isso gera. Me pergunto se essa resistência a cuidar do corpo é resistência ou auto-punição.
Primeiro o dever, depois a obrigação. Assim estou.
Cadê o prazer? Ando lendo Harry Potter, amando fazer isso, nada mais gostoso. esse é um prazer. e agora como bolo de chocolate, contrariando as regras de calorias. enquanto isso, pernilongos pentelhos picam meus tornozelos.
tanta coisa acontecendo e eu preocupada com a lombar.
muita coisa anda acontecendo. sempre tenho a sensação estranha que faço muito mais coisas do que aguento e menos do que deveria. Isso é um aforismo muito cansativo, me tira o plus pra fazer muitas coisas. fazer com prazer.
no exercício de psicofísica, percebi que minha atenção dividida é fraca. Pra falar a verdade, não gosto de atender mais de um tema ao mesmo tempo. Torna tudo banal. Se tudo é importante, nada é importante. Assim percebo.
Mas voltando às muitas coisas...são coisas grandes, que pedem um salto de escala, em todos os níveis.
- construção de uma casa
- uma marcha mundial pela paz e a não-violência
- preparação para a disciplina
- e claro, sempre, sempre, a questão artística: A Gira, as decisões. Vou me lançar ao mundo dos livros? E os documentários? e o cinema? insisto? confesso que, agora, só queria escrever... talvez seja isso que sempre quis fazer, criar histórias. mas esse é um tópico exclusivo.
Só coisas boas. só coisas que inspiram. então está tudo bem, não fosse as benditas contas infinitas e a minha resistencia a dar resposta às coisas da matéria. na realidade, preciso definir o que tanto me "pesa", se as contas em si ou as expectativas.
clima geral: confusão. estou conseguindo atender aos temas todos, mas sempre com a sensação de estar sendo empurrada. Um clima básico que detectei no retiro, uma espécie de INJUSTIÇA pelo tempo das coisas. "Não me deixaram nascer sozinha". Isso tb é um tópico à parte, coisa para se dar volta.
será que eu fui mimada demais? às vezes, eu acho que sim. não que meus pais tenham culpa, mas às vezes tudo o que eu quero é alguém que cuide da "infra-estrutura básica"pra eu fazer "o que interessa". "cuidar da infra"é muito chato. E acho que o CORPO está nesse pacote. É tipo aquela coisa chata da manutenção.
vou tentar dormir, apesar da lombar.
dor na lombar. o corpo pesa.
dor na cervical. a cabeça pesa. as contas pesam. as coisas chatas da rotina pesam. o dever pesa. penso o tempo e o desgaste que isso gera. Me pergunto se essa resistência a cuidar do corpo é resistência ou auto-punição.
Primeiro o dever, depois a obrigação. Assim estou.
Cadê o prazer? Ando lendo Harry Potter, amando fazer isso, nada mais gostoso. esse é um prazer. e agora como bolo de chocolate, contrariando as regras de calorias. enquanto isso, pernilongos pentelhos picam meus tornozelos.
tanta coisa acontecendo e eu preocupada com a lombar.
muita coisa anda acontecendo. sempre tenho a sensação estranha que faço muito mais coisas do que aguento e menos do que deveria. Isso é um aforismo muito cansativo, me tira o plus pra fazer muitas coisas. fazer com prazer.
no exercício de psicofísica, percebi que minha atenção dividida é fraca. Pra falar a verdade, não gosto de atender mais de um tema ao mesmo tempo. Torna tudo banal. Se tudo é importante, nada é importante. Assim percebo.
Mas voltando às muitas coisas...são coisas grandes, que pedem um salto de escala, em todos os níveis.
- construção de uma casa
- uma marcha mundial pela paz e a não-violência
- preparação para a disciplina
- e claro, sempre, sempre, a questão artística: A Gira, as decisões. Vou me lançar ao mundo dos livros? E os documentários? e o cinema? insisto? confesso que, agora, só queria escrever... talvez seja isso que sempre quis fazer, criar histórias. mas esse é um tópico exclusivo.
Só coisas boas. só coisas que inspiram. então está tudo bem, não fosse as benditas contas infinitas e a minha resistencia a dar resposta às coisas da matéria. na realidade, preciso definir o que tanto me "pesa", se as contas em si ou as expectativas.
clima geral: confusão. estou conseguindo atender aos temas todos, mas sempre com a sensação de estar sendo empurrada. Um clima básico que detectei no retiro, uma espécie de INJUSTIÇA pelo tempo das coisas. "Não me deixaram nascer sozinha". Isso tb é um tópico à parte, coisa para se dar volta.
será que eu fui mimada demais? às vezes, eu acho que sim. não que meus pais tenham culpa, mas às vezes tudo o que eu quero é alguém que cuide da "infra-estrutura básica"pra eu fazer "o que interessa". "cuidar da infra"é muito chato. E acho que o CORPO está nesse pacote. É tipo aquela coisa chata da manutenção.
vou tentar dormir, apesar da lombar.
segunda-feira, 2 de março de 2009
outro lado
nasci entre montanhas
interior das Minas Gerais
sempre perguntava: o que tem do outro lado?
um dia, escalei a dúvida
saí do gueto
saí do certo
descobri a dialética
interior das Minas Gerais
sempre perguntava: o que tem do outro lado?
um dia, escalei a dúvida
saí do gueto
saí do certo
descobri a dialética
sábado, 28 de fevereiro de 2009
o mágico porvir
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
a dançarina de dança do ventre
olhares transversais
magia ao redor
pouco tempo na área
fuga estratégica
encantamento
irrealidade
véu.
vento solitário a serviço do amor. a serviço.
magia ao redor
pouco tempo na área
fuga estratégica
encantamento
irrealidade
véu.
vento solitário a serviço do amor. a serviço.
descobrimento
Competir é se preparar para a festa seleta que nunca chega,
enquanto me esqueço de viver em festa.
enquanto me esqueço de viver em festa.
o eu e o ser
Vou tentar uma coisa: suprimir, na medida do possível, adjetivos.
eu sou...
para chegar mais perto do que se é, deixe de pensurar adjetivos na árvore do ser. Eles podem atrapalhar o ascenso.
eu sendo?
pelo menos o gerúndio sai da linguagem de telemarketing...
eu sou...
para chegar mais perto do que se é, deixe de pensurar adjetivos na árvore do ser. Eles podem atrapalhar o ascenso.
eu sendo?
pelo menos o gerúndio sai da linguagem de telemarketing...
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
o desapego
Eis outra dificuldade: dizer adeus.
teorema tostines: a insegurança dificulta meu desapego ou sou insegura porque não firmo um caminho, ainda que no começo, sem certezas absolutas?
num mesmo dia, formulo um milhão de diferentes projetos.
Sim, tenho a mente dinâmica. Sim, posso pensar e dar conta de várias coisas, e isso não é um problema em si.
o problema é quando são projetos que marcam uma direção, ou uma escolha que pede certo aprofundamento.
Por exemplo, agora ando em crise com as imagens. comprei uma ilha de edição, e não consigo olhar pra ela. Adoro ver filmes bem editados, imagens tratatas e etc, mas não queros er eu a pessoa a fazer isso.
qual o problema, então?
o problema é que eu não me desapego da necessidade de ser eu a pessoa a fazer isso. Não sou rígida a ponto de não fazer coisas diferentes, ao contrário, vou acumulando, com medo de deixar pra trás alguma coisa e me arrepender depois. Medo de perder o bonde. Medo, em síntese.
Deixei de tocar piano, porque ficou claro que não queria ser pianista. estou, pouco a pouco, definindo coisas. Mas algumas ainda me custam largar.
Que difícil é desapegar das próprias virtudes ou habilidades conquistadas! mesmo que isso represente liberdade para conquistar tantas outras, para se aprofundar em algo querido...é como se ficassem várias janelas abertas, vários livros começados, várias histórias incompletas, várias imagens lançadas sem conclusão. Imagino que isso tome certa energia psicofísica.
A dificuldade em largar está associada à imagem de si, à definição que faço de mim mesma por estas virtudes. Quem é você? Uma cineasta? Uma documentarista? Uma fotógrafa? Uma atual dramaturga, uma futura escritora? Porque são estes os atuais devaneios.
quem sou eu, escrava das virtudes? escrava dos desejos?
justifico tudo isso com a busca da perfeição. Mas tanta coisa junta não me permite aperfeiçoar em nada, mergulhar em nada. É pura expectativa. E pior, ter que vender com isso, me vender, vender meu trabalho.
tenho tido muito prazer dando aulas, trocando. talvez porque nunhca tenha tido nehuma pretensão em ser professora. Até tenho preconceito, acho menor que criar, e acho feio admitir isso. Mas acho, e acho.
Que busca é genuína, que busca vale a pena?
Parece que faço as malas 10 vezes por dia, iniciando viagens em direções diferentes. saio, volto, refaço a mala, saio, volto, a mala cada vez maior, porque tem que dar conta de muita coisa. muito peso na bagagem, muita expectativa em ter que aproveitar tudo.
teorema tostines: a insegurança dificulta meu desapego ou sou insegura porque não firmo um caminho, ainda que no começo, sem certezas absolutas?
num mesmo dia, formulo um milhão de diferentes projetos.
Sim, tenho a mente dinâmica. Sim, posso pensar e dar conta de várias coisas, e isso não é um problema em si.
o problema é quando são projetos que marcam uma direção, ou uma escolha que pede certo aprofundamento.
Por exemplo, agora ando em crise com as imagens. comprei uma ilha de edição, e não consigo olhar pra ela. Adoro ver filmes bem editados, imagens tratatas e etc, mas não queros er eu a pessoa a fazer isso.
qual o problema, então?
o problema é que eu não me desapego da necessidade de ser eu a pessoa a fazer isso. Não sou rígida a ponto de não fazer coisas diferentes, ao contrário, vou acumulando, com medo de deixar pra trás alguma coisa e me arrepender depois. Medo de perder o bonde. Medo, em síntese.
Deixei de tocar piano, porque ficou claro que não queria ser pianista. estou, pouco a pouco, definindo coisas. Mas algumas ainda me custam largar.
Que difícil é desapegar das próprias virtudes ou habilidades conquistadas! mesmo que isso represente liberdade para conquistar tantas outras, para se aprofundar em algo querido...é como se ficassem várias janelas abertas, vários livros começados, várias histórias incompletas, várias imagens lançadas sem conclusão. Imagino que isso tome certa energia psicofísica.
A dificuldade em largar está associada à imagem de si, à definição que faço de mim mesma por estas virtudes. Quem é você? Uma cineasta? Uma documentarista? Uma fotógrafa? Uma atual dramaturga, uma futura escritora? Porque são estes os atuais devaneios.
quem sou eu, escrava das virtudes? escrava dos desejos?
justifico tudo isso com a busca da perfeição. Mas tanta coisa junta não me permite aperfeiçoar em nada, mergulhar em nada. É pura expectativa. E pior, ter que vender com isso, me vender, vender meu trabalho.
tenho tido muito prazer dando aulas, trocando. talvez porque nunhca tenha tido nehuma pretensão em ser professora. Até tenho preconceito, acho menor que criar, e acho feio admitir isso. Mas acho, e acho.
Que busca é genuína, que busca vale a pena?
Parece que faço as malas 10 vezes por dia, iniciando viagens em direções diferentes. saio, volto, refaço a mala, saio, volto, a mala cada vez maior, porque tem que dar conta de muita coisa. muito peso na bagagem, muita expectativa em ter que aproveitar tudo.
Fogo e frustrações
Faz parte deste trabalho lidar com as frustrações.
É incrível como mesmo querendo estar em outra situação e sabendo exatamente qual, e mesmo não querendo mais estar em uma situação que aprisiona, mesmo sabendo qual, demora pra fazer essa passagem.
Que impede, então?
Hábitos
Resistências físicas
é estranho. Como um outro ser se apossasse de nós, um ser nada a ver com o que queremos ser.
não falo de possessões espíritas. falo de aspectos nossos que não querem mudar, não querem evoluir, estão muito mal, obrigado, mas mesmo assim o desejo de permanecer é maior. Pensamos ser uma coisa só, e de repente nos deparamos com tantos seres! Quem toma a direção?
Sinto que minha dificuldade é a força de tração para mudar os hábitos. Há o desejo, há o plano, há a imagem clara. E há a dificuldade de colocar em prática. Porque sempre algo acontece para "mudar estes planos", deixar pra amanhã. Algo externo, algo interno. Preguiçca, sono e - o pior - uma dúvida repentina se devo fazer aquilo mesmo. É como se eu andasse sobre uma areia movediçca, nada parece muito estável, especialmente minahs decisões.
Incerteza é um desses males que fazem permanecer.
É incrível como mesmo querendo estar em outra situação e sabendo exatamente qual, e mesmo não querendo mais estar em uma situação que aprisiona, mesmo sabendo qual, demora pra fazer essa passagem.
Que impede, então?
Hábitos
Resistências físicas
é estranho. Como um outro ser se apossasse de nós, um ser nada a ver com o que queremos ser.
não falo de possessões espíritas. falo de aspectos nossos que não querem mudar, não querem evoluir, estão muito mal, obrigado, mas mesmo assim o desejo de permanecer é maior. Pensamos ser uma coisa só, e de repente nos deparamos com tantos seres! Quem toma a direção?
Sinto que minha dificuldade é a força de tração para mudar os hábitos. Há o desejo, há o plano, há a imagem clara. E há a dificuldade de colocar em prática. Porque sempre algo acontece para "mudar estes planos", deixar pra amanhã. Algo externo, algo interno. Preguiçca, sono e - o pior - uma dúvida repentina se devo fazer aquilo mesmo. É como se eu andasse sobre uma areia movediçca, nada parece muito estável, especialmente minahs decisões.
Incerteza é um desses males que fazem permanecer.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
16.02
Vísceras
Hoje o dia começou conturbado. Apesar de ter sonhado com cristais em forma de pingentes.
Tudo que tenho feito tem uma metáfora parecida ultimamente: Maratona.
o caminho é longo, exige. Há uma reta final, mas não dá pra gastar todo o gás no começo.
nem perder o objetivo, desviando o caminho
nem ficar obssessivo, perdendo as belezas do caminho.
A coisa do tom e da pulcritude. O trato amável consigo e com outros.
Não é sempre que colhemos os louros, e há dias em que é fácil enfiar a cabeça no buraco. Não tem ninguém pedindo ou mandando, depende puramente da nossa vontade, da afirmação dessa vontade dia a dia. Dias pequenos, cotidianos, sem nada extraordinário - pelo menos aparente. Sem encontros grandiosos, sem nada. Simplesmente um dia em que se pode fazer uma coisa ou outra. é nesse dia a dia que está o segredo.
senão vivemos a segunda à espera do sábado.
A sexta de carnaval temendo a quarta de cinzas.
o dia a dia tem que ser da melhor qualidade. o cotidiano, desejável. a rotina, alegre.
ser mãe ajuda muito a treinar. Neste exato momento em que escrevo, por ex, meu faro me diz que é hora de trocar certa fralda. Nada mais cotidiano e oportuno pra exemplificar a questão.
manejar os ânimos é a chave. Lendo o Psicologia I, me marcou a passagem que fala que as expectativas são as maiores ladras de energia. também percebo que elas são o motor das compulsões.
diciplina e pulcritude. Hoje tenho que arrumar a casa, coisa que não gosto. Fazer exercícios físicos, coisa que já gostei, mas hoje tenho resistência.
é engraçado. Penso sobre que diabo interno atrapalha tanto a gente. Se há um desejo genuíno de chegar a algum lugar, por que há tantos impedimentos internos? é engraçado, e mais engraçado cedermos a eles, já que nosso objetivo é tão claro.
PREGUIÇA é um dos meus. Preciso urgentemente resolver esse problema de fadiga física. De pensar nisso, me dá mais preguiça. Como resolver essa equação?
Mobilizar imagens, tenho feito isso. Não conseguia escrever nada, até montar este blog. Aproveitei um hábito desejado e incorporado, além de usar como tempo de silêncio dos afazeres vários do dia. A idéia de "publicar", ainda que seja pra mim, me sugere um diálogo.
VENCER A PREGUIÇA.
Ou melhor, manejar a preguiça. não é uma guerra, é uma intenção.
Hoje o dia começou conturbado. Apesar de ter sonhado com cristais em forma de pingentes.
Tudo que tenho feito tem uma metáfora parecida ultimamente: Maratona.
o caminho é longo, exige. Há uma reta final, mas não dá pra gastar todo o gás no começo.
nem perder o objetivo, desviando o caminho
nem ficar obssessivo, perdendo as belezas do caminho.
A coisa do tom e da pulcritude. O trato amável consigo e com outros.
Não é sempre que colhemos os louros, e há dias em que é fácil enfiar a cabeça no buraco. Não tem ninguém pedindo ou mandando, depende puramente da nossa vontade, da afirmação dessa vontade dia a dia. Dias pequenos, cotidianos, sem nada extraordinário - pelo menos aparente. Sem encontros grandiosos, sem nada. Simplesmente um dia em que se pode fazer uma coisa ou outra. é nesse dia a dia que está o segredo.
senão vivemos a segunda à espera do sábado.
A sexta de carnaval temendo a quarta de cinzas.
o dia a dia tem que ser da melhor qualidade. o cotidiano, desejável. a rotina, alegre.
ser mãe ajuda muito a treinar. Neste exato momento em que escrevo, por ex, meu faro me diz que é hora de trocar certa fralda. Nada mais cotidiano e oportuno pra exemplificar a questão.
manejar os ânimos é a chave. Lendo o Psicologia I, me marcou a passagem que fala que as expectativas são as maiores ladras de energia. também percebo que elas são o motor das compulsões.
diciplina e pulcritude. Hoje tenho que arrumar a casa, coisa que não gosto. Fazer exercícios físicos, coisa que já gostei, mas hoje tenho resistência.
é engraçado. Penso sobre que diabo interno atrapalha tanto a gente. Se há um desejo genuíno de chegar a algum lugar, por que há tantos impedimentos internos? é engraçado, e mais engraçado cedermos a eles, já que nosso objetivo é tão claro.
PREGUIÇA é um dos meus. Preciso urgentemente resolver esse problema de fadiga física. De pensar nisso, me dá mais preguiça. Como resolver essa equação?
Mobilizar imagens, tenho feito isso. Não conseguia escrever nada, até montar este blog. Aproveitei um hábito desejado e incorporado, além de usar como tempo de silêncio dos afazeres vários do dia. A idéia de "publicar", ainda que seja pra mim, me sugere um diálogo.
VENCER A PREGUIÇA.
Ou melhor, manejar a preguiça. não é uma guerra, é uma intenção.
domingo, 15 de fevereiro de 2009
15.02
respirando fundo.
percebo uma sensação estranha: vim mesmo pra realizar?
essa sensação de que não vim à toa é delírio de grandeza ou intuição?
revisando partes da biografia: o medíocre nunca me atraiu. Se era feira de ciências, não bastava a maquete. Tinha que ser um sistema solar em movimento, à manivela, com luzes estroboscópicas e um antigo walkie-man com a trilha do Guerra nas Estrelas.
primeiro lugar na feira também com um aparelho de Muller, que reproduzia a origem da vida na Terra.
e o teatro, pra escola inteira
e as representações de classe
e os limites intoleráveis. Até que os limites da montanha, os limites da cidade, geraram claustrofobia.
o concreto de SP passou a ser o novo. E seus limites, o desconhecido. O conhecimento ainda não obtido, as aptidões adormecidas, um desejo louco de ser alguém importante.
Com ele, vim até aqui. Naquela época, o mundo já me roçava transformável, as necessidades do mundo já atizicavam. Mas a vida era longa, eu postergava um pouco, talvez por não gostar de sentir culpa, que é o único sentimento solidário que o sistema oferece.
aqui cheguei, plena de desejos.
às portas de um clube: me pertenceria?
bati em várias portas seletas, passei por testes, passei por todos. conheci pessoas incríveis. não há fim para o que se pode conhecer. não há limite.
até que esbarrei com o limite da minha descrença.
nisso estou, nessa terra árida. tentando entender essa rachadura na terra que separa do oásis possível.
quero água, tenho que eu mesma buscar. Sem a sensação de estar de carona no mundo, de ser convidada do dono da festa. Somos todos, pois, anfitriões?
percebo uma sensação estranha: vim mesmo pra realizar?
essa sensação de que não vim à toa é delírio de grandeza ou intuição?
revisando partes da biografia: o medíocre nunca me atraiu. Se era feira de ciências, não bastava a maquete. Tinha que ser um sistema solar em movimento, à manivela, com luzes estroboscópicas e um antigo walkie-man com a trilha do Guerra nas Estrelas.
primeiro lugar na feira também com um aparelho de Muller, que reproduzia a origem da vida na Terra.
e o teatro, pra escola inteira
e as representações de classe
e os limites intoleráveis. Até que os limites da montanha, os limites da cidade, geraram claustrofobia.
o concreto de SP passou a ser o novo. E seus limites, o desconhecido. O conhecimento ainda não obtido, as aptidões adormecidas, um desejo louco de ser alguém importante.
Com ele, vim até aqui. Naquela época, o mundo já me roçava transformável, as necessidades do mundo já atizicavam. Mas a vida era longa, eu postergava um pouco, talvez por não gostar de sentir culpa, que é o único sentimento solidário que o sistema oferece.
aqui cheguei, plena de desejos.
às portas de um clube: me pertenceria?
bati em várias portas seletas, passei por testes, passei por todos. conheci pessoas incríveis. não há fim para o que se pode conhecer. não há limite.
até que esbarrei com o limite da minha descrença.
nisso estou, nessa terra árida. tentando entender essa rachadura na terra que separa do oásis possível.
quero água, tenho que eu mesma buscar. Sem a sensação de estar de carona no mundo, de ser convidada do dono da festa. Somos todos, pois, anfitriões?
sábado, 14 de fevereiro de 2009
14.02

Palavra de hoje: PODER.
Poder pessoal
poder transformar
poder ser agente
acreditar que minha ação reverbera
e que minha omissão faz diferença.
Em dia de alinhamento planetário: poder.
Há quem diga que a Era de Aquário começa hoje. Boas vibrações...
Poder pessoal
poder transformar
poder ser agente
acreditar que minha ação reverbera
e que minha omissão faz diferença.
Em dia de alinhamento planetário: poder.
Há quem diga que a Era de Aquário começa hoje. Boas vibrações...
Composição: Ragni / Gerome / Macdermot / Galt / Rado / James
When the moon is in the Seventh House
And Jupiter aligns with Mars
Then peace will guide the planets
And love will steer the stars
This is the dawning of the age of Aquarius
The age of Aquarius
Aquarius!
Aquarius!
Harmony and understanding
Sympathy and trust abounding
No more falsehoods or derisions
Golding living dreams of visions
Mystic crystal revalation
And the mind's true liberation
Aquarius!
Aquarius!
When the moon is in the Seventh House
And Jupiter aligns with Mars
Then peace will guide the planets
And love will steer the stars
This is the dawning of the age of Aquarius
The age of Aquarius
Aquarius!
Aquarius!
Harmony and understanding
Sympathy and trust abounding
No more falsehoods or derisions
Golding living dreams of visions
Mystic crystal revalation
And the mind's true liberation
Aquarius!
Aquarius!
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
diários de escola: primeiro dia
Não é o primeiro dia da prática. Mas é do diário.
resolvi publicar, um estímulo a mais pra escrever. Unir duas disciplinas difíceis: a da escrita e da transcendência.
Agora só falta a terceira: as práticas físicas.
Pois bem. Palavra de hoje: acordar. é duro acordar, ir contra a gravidade. Especialmente em dia friozinho. Em dia quente é pior.
"Se para você está bem o verão e o inverno, o dia e a noite, superaste as contradições".
E eu, que prefiro o outono ou primavera, e aquela hora mágica que não é dia nem noite?
ACORDAR. ÂNIMO. ÂNCORA.
Ando muito irregular. Ontem tive idéias para uma peça de teatro, hoje nem quero escrever. Agora começo esse blog, promessa de ser diário. Será? Espero.
ESPERA. Outra palavra do dia
Dia de sexta. Sexta de 13. 13 de lua. E cheia.
Tendência: deixar pra segunda.
Tendência da segunda: ser dia chato ou adiar pra terça.
Percepção do dia: Pra seguir em frente, ir além e só.
resolvi publicar, um estímulo a mais pra escrever. Unir duas disciplinas difíceis: a da escrita e da transcendência.
Agora só falta a terceira: as práticas físicas.
Pois bem. Palavra de hoje: acordar. é duro acordar, ir contra a gravidade. Especialmente em dia friozinho. Em dia quente é pior.
"Se para você está bem o verão e o inverno, o dia e a noite, superaste as contradições".
E eu, que prefiro o outono ou primavera, e aquela hora mágica que não é dia nem noite?
ACORDAR. ÂNIMO. ÂNCORA.
Ando muito irregular. Ontem tive idéias para uma peça de teatro, hoje nem quero escrever. Agora começo esse blog, promessa de ser diário. Será? Espero.
ESPERA. Outra palavra do dia
Dia de sexta. Sexta de 13. 13 de lua. E cheia.
Tendência: deixar pra segunda.
Tendência da segunda: ser dia chato ou adiar pra terça.
Percepção do dia: Pra seguir em frente, ir além e só.
diários de escola: afinal, que escola?

não há definição wikipédica precisa.
só sei que é algo antigo.
sou postulante. isso significa que me preparo pra ela, sem saber quando serei chamada.
não importa. o que importa é que agora tenho um motivo maior para aprofundar meu caminho. isso abre o futuro, e já basta.
Mistérios, se acostume. às vezes, a pergunta é melhor que a resposta.
Enquanto houver perguntas, haverá futuro. Haverá descobertas a serem descobertas.
Eu, curiosa de nascença, perguntadeira de primeira, eu, que tanto busco o tangível,...o que é, o que é... vou aprender a CONFIAR.
Luís Milani, um dos mestres de disciplina, escreveu num texto: (gostei, cito abaixo)
La Escuela
"La escuela para mi es básicamente una experiencia que inspira, no es un edificio, no es una institución, no es un grupo humano. La E. es, esencialmente para mi una experiencia humana. Es una experiencia que deja significados y que es atemporal. Y tiene una característica muy particular, distinta a todo lo conocido: cuanto mas nos preguntemos por ella, cuanto mas hablemos de ella, mas nos estaremos alejando de ella misma. Así que dejamos este tema aquí."
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