segunda-feira, 27 de abril de 2009

e aí, o tempo?

segunda-feira. só a semana que começa.
o prazo pra muita coisa se acabando, como sempre. pra pagar contas, pra fazer projetos, pra resolver pendências chatas que eu adio até o último minuto, entre outras milhares. Isso inclui o mundo, por causa das guerras e da ameaça nuclear, isso inclui as calotas polares, por causa do que todo mundo já sabe, isso inclui minha paciência pra tudo isso, isso inclui...
posso tomar um ar, por favor?
às vezes, dá vontade de fazer que nem o Hero, da série Heroes: congelar o tempo. Dá vontade de congelar só as ações filhas da puta e poder gozar um pouco e sem pressa as coisas boas - e são tantas! - desse mundo.
isso é culpa? é.
prepotência? é.
burrice? é.
mas eu sinto assim.
tem conserto?

segunda-feira, 20 de abril de 2009

solto nos campos

existe um cavalo selvagem.
livre, correndo pelos campos de mim. ele me arranca de toda armadilha, ele relicha quando páro em certas encruzilhadas. Ele me leva. ele também me derruba. não me machuca, mas às vezes, me domina.
ele é o campo dos passos sem campo. ele gosta do vento na cara, na crina, por isso ele corre mesmo sem rumo. ele não pára no final dos tempos.
ele, rebelde, com ou sem causa. ele não se contenta com meia liberdade. ele não joga, ele não discute, ele vai pra onde quer ir. ele é foça que rasga fronteiras, ele não espera a coer~encia. ele vai, arebenta porteiras, fura obstáculos, e se os salta, é só por pura diversão.
ele confunde momentos estratégicos. ele conduz, sem rédeas, os desejos. ele só pára por livre vontade, na sombra descansa, na brisa da tarde.
ele, domado,chora a raiva dos tempos. ele, nunca domado. ele, nas rédeas, só pensa em sair. eu finjo certeza, ele me derruba.
ele, selvagem, precisa ver futuro, pasto, espaço para correr, porta de saída. selvagem e dócil pra quem o respeita. ninguém o domina, mas ele compartilha. ele, tinhoso, aceita nas costas somente outro espírito livre, que com ele vai, que ele não domina, que ele respeita, que dele gosta.
ele, selvagem, entende a língua do silêncio. é surdo a promessas, jogos de palavras, promessas de poder. ele já tem o que quer: ser ele e só. nada o seduz, porque tudo tem.
ele domina, se eu não cuido. em certos momentos, ele é fúria sem meta.
paixão sem nome, ou sem direção.
da força do vento, toma a morada.
deflagra a mentira, o véu, o vazio

quinta-feira, 16 de abril de 2009

o meio

certas histórias poderiam ser vividas só no meio.
sem início, sem fim
às vezes é bom viver sem prólogo, sem saber de amanhã.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

corrente

imagine um rio
e, como uma foto, num instante dessa corrente congelada, um rosto.
na linha da eternidade, um eu existente.
um rosto frágil, porque é parte de algo na iminência da mudança, de transfiguração em nova forma na água.
um equilíbrio instável.

imagine um rio
sem correntes congeladas, mas todos os rostos possíveis passando livres pela correnteza
alternando-se, sem medo da dissolução,
porque, visto um pouco mais de trás,
o rio tem margens firmes, forma precisa,
e destino certo: o oceano.

sábado, 4 de abril de 2009

a relação mágica com o mundo

tenho me interessado por literatura fantástica.
tenho me interessado, inclusive, por harry potter.
tenho percebido que grande parte dessa literatura está nas prateleiras de "literatura juvenil".
no curso sobre tolkien, aprendi que por ter escrito "o senhor dos anéis"ele era considerado pouco sério por alguns.
tenho percebido, para minha surpresa, que muito da aventura da vida se limita até os vinte e poucos anos. no imaginário do sistema, digo.

tenho tentado perceber se só gosto de ler, ou também se escrever.

tenho sentido impulsos fortes de radicalizar alguns aspectos de minha vida. assumir de vez algumas facetas.

talvez isso se misture com a casa nova.

mas voltando ao tema: tenho percebido que a relação mágica com o mundo tem prazo de validade. e esse prazo está dentro de mim.

vou precisar escrever muito sobre isso. aliás, é sobre o que quero escrever.

diga-me quem admiras e te direi quem és...

o corpo, a luta

eis o tema, novamente.
tentando não ser uma briga
tentando não ser sacrifício,
só sacro ofício de estar bem em si mesma
tentando descondicionar o que sempre foi uma briga
tentando descondicionar o boicote de ser quem se quer sem, com isso, avassalar que se está sendo
vencer a compulsão do hábito sem que seja disputa
vencer: conseguir prevalecer a vontade sobre a compulsão.

compulsão do que?
compensação do que?
tensões carregadas.

percebo que os momentos em que faço coisas menos dispersas são mais saudáveis e "magros". deixar pra trás inutilidades. deixar pra trás o que já está atrás. o fracasso não-declarado pesa.

o estúdio.
a vida demasiadamente cara.
a ação social pelo social, imagem de si.
reuniões, reuniões e reuniões
problemas de relação fundamentados no ego