existe um cavalo selvagem.
livre, correndo pelos campos de mim. ele me arranca de toda armadilha, ele relicha quando páro em certas encruzilhadas. Ele me leva. ele também me derruba. não me machuca, mas às vezes, me domina.
ele é o campo dos passos sem campo. ele gosta do vento na cara, na crina, por isso ele corre mesmo sem rumo. ele não pára no final dos tempos.
ele, rebelde, com ou sem causa. ele não se contenta com meia liberdade. ele não joga, ele não discute, ele vai pra onde quer ir. ele é foça que rasga fronteiras, ele não espera a coer~encia. ele vai, arebenta porteiras, fura obstáculos, e se os salta, é só por pura diversão.
ele confunde momentos estratégicos. ele conduz, sem rédeas, os desejos. ele só pára por livre vontade, na sombra descansa, na brisa da tarde.
ele, domado,chora a raiva dos tempos. ele, nunca domado. ele, nas rédeas, só pensa em sair. eu finjo certeza, ele me derruba.
ele, selvagem, precisa ver futuro, pasto, espaço para correr, porta de saída. selvagem e dócil pra quem o respeita. ninguém o domina, mas ele compartilha. ele, tinhoso, aceita nas costas somente outro espírito livre, que com ele vai, que ele não domina, que ele respeita, que dele gosta.
ele, selvagem, entende a língua do silêncio. é surdo a promessas, jogos de palavras, promessas de poder. ele já tem o que quer: ser ele e só. nada o seduz, porque tudo tem.
ele domina, se eu não cuido. em certos momentos, ele é fúria sem meta.
paixão sem nome, ou sem direção.
da força do vento, toma a morada.
deflagra a mentira, o véu, o vazio
segunda-feira, 20 de abril de 2009
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