hoje, na acupuntura, a Flavia espetou meu joelho e eu urrei de dor. ele anda bem inflexível.
joelho=orgulho
para quem me ajoelharia? quem, que causa, mereceria minha devoção e entrega?
o que é, realmente, se entregar? entregar o controle ou direcionar a própria vida a um fim?
há algo muito mal gravado aí.
há uma desconfiança, uma descrença, uma proteção.
há um orgulho, e quando conveniente, uma falsa submissão hipócrita, sempre acompanhada de um plano de motim.
não há descanso, é uma guerra constante. quem vai tomar meu poder?
há um julgamento feroz ao erro. há uma violência ao julgar.
há um apoio neste orgulho. Como se, se não fosse ele, já não seria nada. ou puramente uma serva.
ele me põe de pé, mas enrijece minhas pernas. faz do erro um desastre, não um aprendizado. e faz de mim uma déspota, se quem erra é o outro.
terça-feira, 17 de março de 2009
mecanismo da mecânica
Repetição:
armar mal alguma coisa
por que?
por preguiça de pensar, por querer segurar tudo, por incluir outros no plano sem consultá-los, por estar com arrastre de etapa. Em suma, estar em algo que não deveria, ou não gostaria, mas não consegui desapegar nem dizer não.
e aí?
algo sai mal, fora do previsto: um acidente.
algo que provavelmente seria previsto se eu estivesse armado bem a coisa, me precavido, etc e tal
acontece alguma merda
as partes envolvidas ficam furiosas comigo
há um julgamento/condenação ou
há uma traição
fico arrasada
sinto-me vítima
condeno-me também.
efeitos colaterais: orgulho, desconfiança
Em alguns casos, as outras partes são mais tolerantes, e o desfecho não é tão radical, como no episódio das fotos para o catálogo. Mas reconheço minha postura como desesperadamente autoritária. uma imposição para que as outras partes arquem com as consequências da minha contradição.
por isso, às vezes me chamam de egoísta, preguiçosa. Deixo as pessoas à minha mercê, e depois as deixo na mão.
ou
em alguns casos, forço uma situação.
armar mal alguma coisa
por que?
por preguiça de pensar, por querer segurar tudo, por incluir outros no plano sem consultá-los, por estar com arrastre de etapa. Em suma, estar em algo que não deveria, ou não gostaria, mas não consegui desapegar nem dizer não.
e aí?
algo sai mal, fora do previsto: um acidente.
algo que provavelmente seria previsto se eu estivesse armado bem a coisa, me precavido, etc e tal
acontece alguma merda
as partes envolvidas ficam furiosas comigo
há um julgamento/condenação ou
há uma traição
fico arrasada
sinto-me vítima
condeno-me também.
efeitos colaterais: orgulho, desconfiança
Em alguns casos, as outras partes são mais tolerantes, e o desfecho não é tão radical, como no episódio das fotos para o catálogo. Mas reconheço minha postura como desesperadamente autoritária. uma imposição para que as outras partes arquem com as consequências da minha contradição.
por isso, às vezes me chamam de egoísta, preguiçosa. Deixo as pessoas à minha mercê, e depois as deixo na mão.
ou
em alguns casos, forço uma situação.
sexta-feira, 13 de março de 2009
quinta-feira, 12 de março de 2009
estados
será que algum dia conseguirei estar neste estado sem porteiores efeitos colaterais?
autocensura zero...na camiseta é mais fácil.
autocensura zero...na camiseta é mais fácil.
domingo, 8 de março de 2009
O 8 de Março e a Crônica repetição
Domingo de sol e a volta do calor insuportável que só deu trégua ontem.
Acordamos com um programa: a Marcha das Mulheres na Av. Paulista. Começava às 10, chegamos às 11. Eis mais uma repetição, mas é a primeira vez que eu a registro assim, claramente.
Pra começar, não queria ir. Não tinha a menor vontade de ficar debaixo do sol quente agitando bandeiras, não é a minha praia. Faz muito tempo que não faço isso com convicção, acho que a única vez que fiz foi no impeachment do Collor. Não gosto de palavras de ordem, de carro de som, e principalmente, da sensação de que, cada vez mais, a diferença entre algumas manifestações e balcão de reclamações ao consumidor é a mesma. Você reclama, reclama, mas continua dando aval pros poderes estabelecidos.
Não estou aqui tirando sarro do trabalho alheio, certamente tinha muita gente de boa fé, com causas justas, e certamente há muita violência e absurdos contra a mulher que PRECISAM ser denunciados. O problema, pra mim, é a forma. E ficar perseguindo um carro de som esperando sua vez de falar, de “dar o recadinho em nome da minha organização”, e especialmente dando outro aval para outro microsisteminha de poderes que acaba se instaurando - o microfone.
Isso fora ouvir coisas como “lugar de imperialista é na frente do fuzil”, coisa mais vaga que a merda, contraditória, leviana. Estão tirando os nossos empregos! Aí me lembra o Brecht, na Ópera dos Três Vinténs: “O que é um assalto a banco, comparado à fundação de um banco? O que é um assassinato de um homem, comparado à contratação deste mesmo homem?” Ficar falando de emprego é dar munição pros filhos da puta que querem tomar conta. É tudo o que eles querem pra chantagear os governos, pra pegar MAIS dinheiro público, pra explorar MAIS GENTE, pra mudar MAIS as legislações trabalhistas. Pra não DEMITIR.
Enfim, o tema aqui é outro. Mas ouvindo aquela mesma musiquinha de sempre, lembrei do campeonato de interclasse na escola, em que a gente cantava: “É canja, é canja, é canja de galinha. Arranja outro time pra jogar na nossa linha!” Ou seja, é um time contra o outro. BANDOS, BANDOS, BANDOS.
E foi interessante lembrar da escola. Porque vi que tudo isso é uma repetição desde essa época: a COMPULSÃO DE PERTENCER.
Então foi assim foi a comédia de erros.
1) Eu estar lá. Não queria, mas fui. Sabe por que? Para não “ficar feio pra turma.”Só por isso. Pra ninguém (ou eu mesma) me acusar de individualista, de egoísta, afinal, não sou humanista?
2) Não avisar pro Dja que tinham me pedido pra gravar a coisa. Eu omiti mesmo, não adianta dizer que esqueci de falar, porque não quis criar conflito. Pensei: O pessoal vai estar lá, eu gravo, fotografo e vou embora. Bem, não foi o que aconteceu. Logo percebi que esse microfone não seria liberado logo, que teria que acompanhar a marcha na descida da Brigadeiro morro abaixo até sabe-se-lá onde, do lado do carro de som ouvindo aqueles gritos todos para não "peder a hora que elas iriam falar".
Aí, imagine o quadro: ele, puto, com o Pedro no colo, sentindo-se traído. E não tiro sua razão.
Foi com o Pedro me esperar lá na Fnac (sábia decisão), e eu já via a fumaça preta saindo da cabeça dele. Aí pergunta: se eu não queria estar lá, por que não fui embora?
Por quê?
Ah, porque já tinha me comprometido.
Por quê?
Altruísmo? Sacrifício? A causa? Não. PUTA PROBLEMA DE IMAGEM DE SI.
Pra ninguém (ou eu mesma) me acusar de individualista, de egoísta, de comodista. Afinal, não sou humanista?
Aí fiquei naquele lugar escroto: Maria-vai-com-as-outras. Fazendo o possível para “ser in”, seja lá qual seja a turma. Atropelando minha vontade, atropelando os outros, porque não conseguia não ceder à compulsão de agradar. Só quando, já lá na puta-que-o-pariu do deixa-que-eu -empurro, as meninas conseguiram falar quase à força, e eu fiz umas imagens lindinhas pra justificar toda a merda que tinha sido aquilo e a tensão aliviou: “agora já estou livre pra ir”, pensei.
E quem me prendia ali?
Aí, com as costas gritando, a lombar doendo e um gosto de contradição, lá fui eu tentar agradar à outra parte ferida. Por sorte, um lampejo de lucidez me tomou no caminho de volta (viva o autoconhecimento!) e não fiquei tentando justificar meus atos. Nem me culpando por isso. Só reconheci, para o Dja, que continuava puto, minha compulsão. Era o mínimo que podia fazer, mas o máximo que poderia fazer também.
E no caminho de volta, percebi que esse lugar é antigo. Vi na minha biografia. O que as amigas iriam pensar, o que meu pai iria pensar, o que minha mãe iria pensar... todas as fontes de afeto e reconhecimento, TODAS. Se eu contrariasse alguma, iria ser punida com O PIOR: o EXÍLIO.
Lembro da pressão que sentia pra transar com o namorado (as amigas) e pra não transar com o namorado (pais). Por sorte, o próprio não me enchia o saco com isso, e esperou paciente minha decisão. Mas lembro exatamente da sensação de NÃO ESTAR BEM EM LUGAR NENHUM. NÃO HAVIA COMO AGRADAR A TODOS, NEM COMO ME AGRADAR. Horrível, horrível.
É quase como “ser eu mesma era pecado”. OBEDIÊNCIA OU EXÍLIO. DESAMOR. REPROVAÇÃO. GONGO. PÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉ – OUT.
Agradeço ao meu guia por essa compreensão. Agradeço o direito ao não.
Agradeço ter percebido que aí tem muita coisa que não me deixa avançar. “você é egoísta”é uma frase que reverbera desde remotos tempos. “todo mundo, menos eu” também.
Ter que ir sem querer ir, ou querer ir, sem poder ir.
Um desencontro total. Foi aí que perdi minha bússola. Negociei meu ser pelo afeto que pensava receber. que precisava receber
Importante, agora, é estar atento para não fazer isso com outro. Trocar carinho por obediência, medalha de honra ao mérito. Amar o outro na sua “desobediência às minhas expectativas”é um grande antídoto para isso. Respeitar as razões do outro, por mais que me pareçam fracas, fúteis, fugas, é outro grande exercício.
E perceber tudo isso já é um grande começo.
Acordamos com um programa: a Marcha das Mulheres na Av. Paulista. Começava às 10, chegamos às 11. Eis mais uma repetição, mas é a primeira vez que eu a registro assim, claramente.
Pra começar, não queria ir. Não tinha a menor vontade de ficar debaixo do sol quente agitando bandeiras, não é a minha praia. Faz muito tempo que não faço isso com convicção, acho que a única vez que fiz foi no impeachment do Collor. Não gosto de palavras de ordem, de carro de som, e principalmente, da sensação de que, cada vez mais, a diferença entre algumas manifestações e balcão de reclamações ao consumidor é a mesma. Você reclama, reclama, mas continua dando aval pros poderes estabelecidos.
Não estou aqui tirando sarro do trabalho alheio, certamente tinha muita gente de boa fé, com causas justas, e certamente há muita violência e absurdos contra a mulher que PRECISAM ser denunciados. O problema, pra mim, é a forma. E ficar perseguindo um carro de som esperando sua vez de falar, de “dar o recadinho em nome da minha organização”, e especialmente dando outro aval para outro microsisteminha de poderes que acaba se instaurando - o microfone.
Isso fora ouvir coisas como “lugar de imperialista é na frente do fuzil”, coisa mais vaga que a merda, contraditória, leviana. Estão tirando os nossos empregos! Aí me lembra o Brecht, na Ópera dos Três Vinténs: “O que é um assalto a banco, comparado à fundação de um banco? O que é um assassinato de um homem, comparado à contratação deste mesmo homem?” Ficar falando de emprego é dar munição pros filhos da puta que querem tomar conta. É tudo o que eles querem pra chantagear os governos, pra pegar MAIS dinheiro público, pra explorar MAIS GENTE, pra mudar MAIS as legislações trabalhistas. Pra não DEMITIR.
Enfim, o tema aqui é outro. Mas ouvindo aquela mesma musiquinha de sempre, lembrei do campeonato de interclasse na escola, em que a gente cantava: “É canja, é canja, é canja de galinha. Arranja outro time pra jogar na nossa linha!” Ou seja, é um time contra o outro. BANDOS, BANDOS, BANDOS.
E foi interessante lembrar da escola. Porque vi que tudo isso é uma repetição desde essa época: a COMPULSÃO DE PERTENCER.
Então foi assim foi a comédia de erros.
1) Eu estar lá. Não queria, mas fui. Sabe por que? Para não “ficar feio pra turma.”Só por isso. Pra ninguém (ou eu mesma) me acusar de individualista, de egoísta, afinal, não sou humanista?
2) Não avisar pro Dja que tinham me pedido pra gravar a coisa. Eu omiti mesmo, não adianta dizer que esqueci de falar, porque não quis criar conflito. Pensei: O pessoal vai estar lá, eu gravo, fotografo e vou embora. Bem, não foi o que aconteceu. Logo percebi que esse microfone não seria liberado logo, que teria que acompanhar a marcha na descida da Brigadeiro morro abaixo até sabe-se-lá onde, do lado do carro de som ouvindo aqueles gritos todos para não "peder a hora que elas iriam falar".
Aí, imagine o quadro: ele, puto, com o Pedro no colo, sentindo-se traído. E não tiro sua razão.
Foi com o Pedro me esperar lá na Fnac (sábia decisão), e eu já via a fumaça preta saindo da cabeça dele. Aí pergunta: se eu não queria estar lá, por que não fui embora?
Por quê?
Ah, porque já tinha me comprometido.
Por quê?
Altruísmo? Sacrifício? A causa? Não. PUTA PROBLEMA DE IMAGEM DE SI.
Pra ninguém (ou eu mesma) me acusar de individualista, de egoísta, de comodista. Afinal, não sou humanista?
Aí fiquei naquele lugar escroto: Maria-vai-com-as-outras. Fazendo o possível para “ser in”, seja lá qual seja a turma. Atropelando minha vontade, atropelando os outros, porque não conseguia não ceder à compulsão de agradar. Só quando, já lá na puta-que-o-pariu do deixa-que-eu -empurro, as meninas conseguiram falar quase à força, e eu fiz umas imagens lindinhas pra justificar toda a merda que tinha sido aquilo e a tensão aliviou: “agora já estou livre pra ir”, pensei.
E quem me prendia ali?
Aí, com as costas gritando, a lombar doendo e um gosto de contradição, lá fui eu tentar agradar à outra parte ferida. Por sorte, um lampejo de lucidez me tomou no caminho de volta (viva o autoconhecimento!) e não fiquei tentando justificar meus atos. Nem me culpando por isso. Só reconheci, para o Dja, que continuava puto, minha compulsão. Era o mínimo que podia fazer, mas o máximo que poderia fazer também.
E no caminho de volta, percebi que esse lugar é antigo. Vi na minha biografia. O que as amigas iriam pensar, o que meu pai iria pensar, o que minha mãe iria pensar... todas as fontes de afeto e reconhecimento, TODAS. Se eu contrariasse alguma, iria ser punida com O PIOR: o EXÍLIO.
Lembro da pressão que sentia pra transar com o namorado (as amigas) e pra não transar com o namorado (pais). Por sorte, o próprio não me enchia o saco com isso, e esperou paciente minha decisão. Mas lembro exatamente da sensação de NÃO ESTAR BEM EM LUGAR NENHUM. NÃO HAVIA COMO AGRADAR A TODOS, NEM COMO ME AGRADAR. Horrível, horrível.
É quase como “ser eu mesma era pecado”. OBEDIÊNCIA OU EXÍLIO. DESAMOR. REPROVAÇÃO. GONGO. PÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉ – OUT.
Agradeço ao meu guia por essa compreensão. Agradeço o direito ao não.
Agradeço ter percebido que aí tem muita coisa que não me deixa avançar. “você é egoísta”é uma frase que reverbera desde remotos tempos. “todo mundo, menos eu” também.
Ter que ir sem querer ir, ou querer ir, sem poder ir.
Um desencontro total. Foi aí que perdi minha bússola. Negociei meu ser pelo afeto que pensava receber. que precisava receber
Importante, agora, é estar atento para não fazer isso com outro. Trocar carinho por obediência, medalha de honra ao mérito. Amar o outro na sua “desobediência às minhas expectativas”é um grande antídoto para isso. Respeitar as razões do outro, por mais que me pareçam fracas, fúteis, fugas, é outro grande exercício.
E perceber tudo isso já é um grande começo.
sábado, 7 de março de 2009
não é incrível?
Bom, eu ando às voltas com esses questionamentos sobre o corpo e etc. e me culpando por deixar ele pra trás, por não dar a ele a devida importância mesmo sabendo da devida importância, etc, etc.
Pois bem. O Pedro anda com uma paixão pelos livros da estante. Pega vários e joga no chão, abre, vê as letras, fecha, depois se interessa por outra coisa e deixa-os lá. Numa dessas, tropecei num livro chamado "O Corpo Tem Suas Razões", de Therese Bertherat e Carol Bernstein. Deve ser um livro do Dja, eu nunca tinha visto.
Claro...ela fala tudo o que eu queria "ouvir". Estou devorando o livro, é maravilhoso. Me faz lembrar da minha frase no começo do último retiro que fizemos..."pra mim, a psicofísica é a parte menos importante. O autoconhecimento sim, dá trabalho." É bom reconhecer ignorâncias, ainda mais quando isso nos ajuda a avançar.
Só quis deixar registrada a sincronicidade. Agradeço à minha falta de rigidez na educação do Pedro, permitindo certas bagunças...e agradeço a ele, claro, por me ensinar a ver de verdade coisas que literalmente estão bem debaixo do nariz.
Salve, Pedro querido, que no seu afã de descobertas, me permitiu também descobrir outros mundos.
Pois bem. O Pedro anda com uma paixão pelos livros da estante. Pega vários e joga no chão, abre, vê as letras, fecha, depois se interessa por outra coisa e deixa-os lá. Numa dessas, tropecei num livro chamado "O Corpo Tem Suas Razões", de Therese Bertherat e Carol Bernstein. Deve ser um livro do Dja, eu nunca tinha visto.
Claro...ela fala tudo o que eu queria "ouvir". Estou devorando o livro, é maravilhoso. Me faz lembrar da minha frase no começo do último retiro que fizemos..."pra mim, a psicofísica é a parte menos importante. O autoconhecimento sim, dá trabalho." É bom reconhecer ignorâncias, ainda mais quando isso nos ajuda a avançar.
Só quis deixar registrada a sincronicidade. Agradeço à minha falta de rigidez na educação do Pedro, permitindo certas bagunças...e agradeço a ele, claro, por me ensinar a ver de verdade coisas que literalmente estão bem debaixo do nariz.
Salve, Pedro querido, que no seu afã de descobertas, me permitiu também descobrir outros mundos.
7 pecados 2 - preguiça, o corpo, a casa.
Detectei uma coisa estranha. estou meio "de mal"com o corpo.
talvez por ter passado muito tempo preocupada com um padrão, tendo que fazer dieta, tendo que fazer ginástica, tendo que.
algo ficou mal gravado aí.
algo que se tornou uma resistência grande a tudo o que vem do corpo. inclusive, a respiração.
é coisa antiga, de alguns anos. vou postergando o momento de "arrumar a casa".
eis que é chegado o momento, porque é o que eu mais sinto falta. estou acima do peso, com dorzinhas musculares chatinhas e esparramadas e uma sensação de contradição por não estar cuidando devidamente dele, do corpo, da minha casa.
arrumar a casa, fazer manutenção, ginástica, coisas assim me soam perda de tempo. sei que não são, mas é como está gravado. o tema, agora, é subverter a subversão de todos os anos em que me obriguei, por um modelo estúpido de beleza, a colocar meu corpo em função dessa estética. Agora ele pede paz, pede dionisio, menos esparta, e eu tenho que lidar com isso sem as consequências do exagero.
é uma disciplina. é um trabalhinho, e desses que não dá mais pra adiar.
tenho a impressão de que se eu não fizer isso, outras coisas não vão caminhar.
Isso é PREGUIÇA, então? RESISTÊNCIA AO MOVIMENTO?
talvez por ter passado muito tempo preocupada com um padrão, tendo que fazer dieta, tendo que fazer ginástica, tendo que.
algo ficou mal gravado aí.
algo que se tornou uma resistência grande a tudo o que vem do corpo. inclusive, a respiração.
é coisa antiga, de alguns anos. vou postergando o momento de "arrumar a casa".
eis que é chegado o momento, porque é o que eu mais sinto falta. estou acima do peso, com dorzinhas musculares chatinhas e esparramadas e uma sensação de contradição por não estar cuidando devidamente dele, do corpo, da minha casa.
arrumar a casa, fazer manutenção, ginástica, coisas assim me soam perda de tempo. sei que não são, mas é como está gravado. o tema, agora, é subverter a subversão de todos os anos em que me obriguei, por um modelo estúpido de beleza, a colocar meu corpo em função dessa estética. Agora ele pede paz, pede dionisio, menos esparta, e eu tenho que lidar com isso sem as consequências do exagero.
é uma disciplina. é um trabalhinho, e desses que não dá mais pra adiar.
tenho a impressão de que se eu não fizer isso, outras coisas não vão caminhar.
Isso é PREGUIÇA, então? RESISTÊNCIA AO MOVIMENTO?
sexta-feira, 6 de março de 2009
7 pecados capitais 1 - o egoísmo
não é pecado capital oficial. Mas já me acusaram desse algumas vezes.
na tentativa neutra de dar voltas sobre essas acusações, procuro refletir sobre isso.
não suporto ninguém me dando ordens.
nem me dizendo o que fazer (parece a mesma coisa, mas não é)
nem se fazendo de vítima (parece coisa diferente, mas às vezes é igual ao primeiro item)
me colocando prazos e cobrando os prazos
me culpando de algo que eu fiz
me julgando (por mais que eu esteja errada) - esse vem antes do anterior
me segurando
me obrigando a estar no coletivo quando quero estar só, e quieta
também não gosto de ficar "presa"em discussões infrutíferas. Nem em coletivos que exigem exclusividade. Nem no seio familiar. nem em lugar nenhum, a não ser que eu tenha optado por isso.
não gosto de ser burocrática nem de ajudar em funções burocráticas (e até faço isso por um bem maior)
não gosto de mediocridade (apesar de me reconhecer medíocre algumas vezes)
não gosto de ser servil. não tenho vocação pra partner nem assistente nem garçonete. muito menos secretária. a não ser que seja uma troca, e eu esteja aprendendo bastante. Mas aí o termo é "aprendiz".
não gosto de esperar pelo momento em que o outro vai decidir algo que me inclui. nem esperar telefonema, que é um exemplo banal disso. aliás, odeio levar bolo.
não gosto de sentir culpa. e sinto muita, sei lá por que.
não gosto de ir num lugar ou fazer alguma coisa porque "todo mundo vai", porque "seria bom". Gosto de fazer se sinto o impulso de fazer. E esse é um tema mal resolvido, porque de tanto querer agradar às vezes nem sei mais o que é meu e o que é do outro.
o que é egoísmo? tudo isso? alguma coisa disso? enfim...
na tentativa neutra de dar voltas sobre essas acusações, procuro refletir sobre isso.
não suporto ninguém me dando ordens.
nem me dizendo o que fazer (parece a mesma coisa, mas não é)
nem se fazendo de vítima (parece coisa diferente, mas às vezes é igual ao primeiro item)
me colocando prazos e cobrando os prazos
me culpando de algo que eu fiz
me julgando (por mais que eu esteja errada) - esse vem antes do anterior
me segurando
me obrigando a estar no coletivo quando quero estar só, e quieta
também não gosto de ficar "presa"em discussões infrutíferas. Nem em coletivos que exigem exclusividade. Nem no seio familiar. nem em lugar nenhum, a não ser que eu tenha optado por isso.
não gosto de ser burocrática nem de ajudar em funções burocráticas (e até faço isso por um bem maior)
não gosto de mediocridade (apesar de me reconhecer medíocre algumas vezes)
não gosto de ser servil. não tenho vocação pra partner nem assistente nem garçonete. muito menos secretária. a não ser que seja uma troca, e eu esteja aprendendo bastante. Mas aí o termo é "aprendiz".
não gosto de esperar pelo momento em que o outro vai decidir algo que me inclui. nem esperar telefonema, que é um exemplo banal disso. aliás, odeio levar bolo.
não gosto de sentir culpa. e sinto muita, sei lá por que.
não gosto de ir num lugar ou fazer alguma coisa porque "todo mundo vai", porque "seria bom". Gosto de fazer se sinto o impulso de fazer. E esse é um tema mal resolvido, porque de tanto querer agradar às vezes nem sei mais o que é meu e o que é do outro.
o que é egoísmo? tudo isso? alguma coisa disso? enfim...
dúvidas
gostar de comer um bolo=gostar de fazer um bolo?
não necessariamente
eis uma das questões.
uma questão relacionada a quem sou e pra onde vou.
descobri que confundo muito as 2 coisas.
não necessariamente
eis uma das questões.
uma questão relacionada a quem sou e pra onde vou.
descobri que confundo muito as 2 coisas.
quinta-feira, 5 de março de 2009
libertas quae sera
No auto-exílio da descrença
lá, ela aguarda.
correntes já gastas. nada mais a prende.
lá, ela aguarda.
quem espera?
que guarda?
inquisição de tempos anteriores?
resquício de tempos passados?
já renasceu de corpo,
falta parte da alma - girar e nascer
livre.
lá, ela aguarda.
correntes já gastas. nada mais a prende.
lá, ela aguarda.
quem espera?
que guarda?
inquisição de tempos anteriores?
resquício de tempos passados?
já renasceu de corpo,
falta parte da alma - girar e nascer
livre.
insônia
São 5:26 da manhã. O Pedro acordou, como sempre, e eu não consegui voltar a dormir.
dor na lombar. o corpo pesa.
dor na cervical. a cabeça pesa. as contas pesam. as coisas chatas da rotina pesam. o dever pesa. penso o tempo e o desgaste que isso gera. Me pergunto se essa resistência a cuidar do corpo é resistência ou auto-punição.
Primeiro o dever, depois a obrigação. Assim estou.
Cadê o prazer? Ando lendo Harry Potter, amando fazer isso, nada mais gostoso. esse é um prazer. e agora como bolo de chocolate, contrariando as regras de calorias. enquanto isso, pernilongos pentelhos picam meus tornozelos.
tanta coisa acontecendo e eu preocupada com a lombar.
muita coisa anda acontecendo. sempre tenho a sensação estranha que faço muito mais coisas do que aguento e menos do que deveria. Isso é um aforismo muito cansativo, me tira o plus pra fazer muitas coisas. fazer com prazer.
no exercício de psicofísica, percebi que minha atenção dividida é fraca. Pra falar a verdade, não gosto de atender mais de um tema ao mesmo tempo. Torna tudo banal. Se tudo é importante, nada é importante. Assim percebo.
Mas voltando às muitas coisas...são coisas grandes, que pedem um salto de escala, em todos os níveis.
- construção de uma casa
- uma marcha mundial pela paz e a não-violência
- preparação para a disciplina
- e claro, sempre, sempre, a questão artística: A Gira, as decisões. Vou me lançar ao mundo dos livros? E os documentários? e o cinema? insisto? confesso que, agora, só queria escrever... talvez seja isso que sempre quis fazer, criar histórias. mas esse é um tópico exclusivo.
Só coisas boas. só coisas que inspiram. então está tudo bem, não fosse as benditas contas infinitas e a minha resistencia a dar resposta às coisas da matéria. na realidade, preciso definir o que tanto me "pesa", se as contas em si ou as expectativas.
clima geral: confusão. estou conseguindo atender aos temas todos, mas sempre com a sensação de estar sendo empurrada. Um clima básico que detectei no retiro, uma espécie de INJUSTIÇA pelo tempo das coisas. "Não me deixaram nascer sozinha". Isso tb é um tópico à parte, coisa para se dar volta.
será que eu fui mimada demais? às vezes, eu acho que sim. não que meus pais tenham culpa, mas às vezes tudo o que eu quero é alguém que cuide da "infra-estrutura básica"pra eu fazer "o que interessa". "cuidar da infra"é muito chato. E acho que o CORPO está nesse pacote. É tipo aquela coisa chata da manutenção.
vou tentar dormir, apesar da lombar.
dor na lombar. o corpo pesa.
dor na cervical. a cabeça pesa. as contas pesam. as coisas chatas da rotina pesam. o dever pesa. penso o tempo e o desgaste que isso gera. Me pergunto se essa resistência a cuidar do corpo é resistência ou auto-punição.
Primeiro o dever, depois a obrigação. Assim estou.
Cadê o prazer? Ando lendo Harry Potter, amando fazer isso, nada mais gostoso. esse é um prazer. e agora como bolo de chocolate, contrariando as regras de calorias. enquanto isso, pernilongos pentelhos picam meus tornozelos.
tanta coisa acontecendo e eu preocupada com a lombar.
muita coisa anda acontecendo. sempre tenho a sensação estranha que faço muito mais coisas do que aguento e menos do que deveria. Isso é um aforismo muito cansativo, me tira o plus pra fazer muitas coisas. fazer com prazer.
no exercício de psicofísica, percebi que minha atenção dividida é fraca. Pra falar a verdade, não gosto de atender mais de um tema ao mesmo tempo. Torna tudo banal. Se tudo é importante, nada é importante. Assim percebo.
Mas voltando às muitas coisas...são coisas grandes, que pedem um salto de escala, em todos os níveis.
- construção de uma casa
- uma marcha mundial pela paz e a não-violência
- preparação para a disciplina
- e claro, sempre, sempre, a questão artística: A Gira, as decisões. Vou me lançar ao mundo dos livros? E os documentários? e o cinema? insisto? confesso que, agora, só queria escrever... talvez seja isso que sempre quis fazer, criar histórias. mas esse é um tópico exclusivo.
Só coisas boas. só coisas que inspiram. então está tudo bem, não fosse as benditas contas infinitas e a minha resistencia a dar resposta às coisas da matéria. na realidade, preciso definir o que tanto me "pesa", se as contas em si ou as expectativas.
clima geral: confusão. estou conseguindo atender aos temas todos, mas sempre com a sensação de estar sendo empurrada. Um clima básico que detectei no retiro, uma espécie de INJUSTIÇA pelo tempo das coisas. "Não me deixaram nascer sozinha". Isso tb é um tópico à parte, coisa para se dar volta.
será que eu fui mimada demais? às vezes, eu acho que sim. não que meus pais tenham culpa, mas às vezes tudo o que eu quero é alguém que cuide da "infra-estrutura básica"pra eu fazer "o que interessa". "cuidar da infra"é muito chato. E acho que o CORPO está nesse pacote. É tipo aquela coisa chata da manutenção.
vou tentar dormir, apesar da lombar.
segunda-feira, 2 de março de 2009
outro lado
nasci entre montanhas
interior das Minas Gerais
sempre perguntava: o que tem do outro lado?
um dia, escalei a dúvida
saí do gueto
saí do certo
descobri a dialética
interior das Minas Gerais
sempre perguntava: o que tem do outro lado?
um dia, escalei a dúvida
saí do gueto
saí do certo
descobri a dialética
Assinar:
Postagens (Atom)
