sábado, 28 de fevereiro de 2009

o mágico porvir

tanto espero
tanto sonho
tanto no futuro
que agora é difuso
eterno o porvir desejado
eterna a espera do sagrado
eterno casulo
útero-floresta
nascer? me tiraram
ainda preciso aprender a romper o véu:
coragem de viver


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

a dançarina de dança do ventre

olhares transversais
magia ao redor
pouco tempo na área
fuga estratégica
encantamento
irrealidade
véu.

vento solitário a serviço do amor. a serviço.

descobrimento

Competir é se preparar para a festa seleta que nunca chega,
enquanto me esqueço de viver em festa.

o eu e o ser

Vou tentar uma coisa: suprimir, na medida do possível, adjetivos.
eu sou...
para chegar mais perto do que se é, deixe de pensurar adjetivos na árvore do ser. Eles podem atrapalhar o ascenso.
eu sendo?
pelo menos o gerúndio sai da linguagem de telemarketing...

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

o desapego

Eis outra dificuldade: dizer adeus.

teorema tostines: a insegurança dificulta meu desapego ou sou insegura porque não firmo um caminho, ainda que no começo, sem certezas absolutas?

num mesmo dia, formulo um milhão de diferentes projetos.

Sim, tenho a mente dinâmica. Sim, posso pensar e dar conta de várias coisas, e isso não é um problema em si.

o problema é quando são projetos que marcam uma direção, ou uma escolha que pede certo aprofundamento.

Por exemplo, agora ando em crise com as imagens. comprei uma ilha de edição, e não consigo olhar pra ela. Adoro ver filmes bem editados, imagens tratatas e etc, mas não queros er eu a pessoa a fazer isso.

qual o problema, então?

o problema é que eu não me desapego da necessidade de ser eu a pessoa a fazer isso. Não sou rígida a ponto de não fazer coisas diferentes, ao contrário, vou acumulando, com medo de deixar pra trás alguma coisa e me arrepender depois. Medo de perder o bonde. Medo, em síntese.

Deixei de tocar piano, porque ficou claro que não queria ser pianista. estou, pouco a pouco, definindo coisas. Mas algumas ainda me custam largar.

Que difícil é desapegar das próprias virtudes ou habilidades conquistadas! mesmo que isso represente liberdade para conquistar tantas outras, para se aprofundar em algo querido...é como se ficassem várias janelas abertas, vários livros começados, várias histórias incompletas, várias imagens lançadas sem conclusão. Imagino que isso tome certa energia psicofísica.

A dificuldade em largar está associada à imagem de si, à definição que faço de mim mesma por estas virtudes. Quem é você? Uma cineasta? Uma documentarista? Uma fotógrafa? Uma atual dramaturga, uma futura escritora? Porque são estes os atuais devaneios.

quem sou eu, escrava das virtudes? escrava dos desejos?

justifico tudo isso com a busca da perfeição. Mas tanta coisa junta não me permite aperfeiçoar em nada, mergulhar em nada. É pura expectativa. E pior, ter que vender com isso, me vender, vender meu trabalho.

tenho tido muito prazer dando aulas, trocando. talvez porque nunhca tenha tido nehuma pretensão em ser professora. Até tenho preconceito, acho menor que criar, e acho feio admitir isso. Mas acho, e acho.

Que busca é genuína, que busca vale a pena?

Parece que faço as malas 10 vezes por dia, iniciando viagens em direções diferentes. saio, volto, refaço a mala, saio, volto, a mala cada vez maior, porque tem que dar conta de muita coisa. muito peso na bagagem, muita expectativa em ter que aproveitar tudo.

Fogo e frustrações

Faz parte deste trabalho lidar com as frustrações.
É incrível como mesmo querendo estar em outra situação e sabendo exatamente qual, e mesmo não querendo mais estar em uma situação que aprisiona, mesmo sabendo qual, demora pra fazer essa passagem.
Que impede, então?
Hábitos
Resistências físicas
é estranho. Como um outro ser se apossasse de nós, um ser nada a ver com o que queremos ser.
não falo de possessões espíritas. falo de aspectos nossos que não querem mudar, não querem evoluir, estão muito mal, obrigado, mas mesmo assim o desejo de permanecer é maior. Pensamos ser uma coisa só, e de repente nos deparamos com tantos seres! Quem toma a direção?

Sinto que minha dificuldade é a força de tração para mudar os hábitos. Há o desejo, há o plano, há a imagem clara. E há a dificuldade de colocar em prática. Porque sempre algo acontece para "mudar estes planos", deixar pra amanhã. Algo externo, algo interno. Preguiçca, sono e - o pior - uma dúvida repentina se devo fazer aquilo mesmo. É como se eu andasse sobre uma areia movediçca, nada parece muito estável, especialmente minahs decisões.

Incerteza é um desses males que fazem permanecer.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

de botero a botticelli

de

e


a




pelo pincel dos mestres... eis a representação externa do caminho interno aspirado...
para quem pegou o bonde andando, nada a ver com estética, mas com a energia com que desejo atuar no mundo.







16.02

Vísceras

Hoje o dia começou conturbado. Apesar de ter sonhado com cristais em forma de pingentes.
Tudo que tenho feito tem uma metáfora parecida ultimamente: Maratona.
o caminho é longo, exige. Há uma reta final, mas não dá pra gastar todo o gás no começo.
nem perder o objetivo, desviando o caminho
nem ficar obssessivo, perdendo as belezas do caminho.

A coisa do tom e da pulcritude. O trato amável consigo e com outros.

Não é sempre que colhemos os louros, e há dias em que é fácil enfiar a cabeça no buraco. Não tem ninguém pedindo ou mandando, depende puramente da nossa vontade, da afirmação dessa vontade dia a dia. Dias pequenos, cotidianos, sem nada extraordinário - pelo menos aparente. Sem encontros grandiosos, sem nada. Simplesmente um dia em que se pode fazer uma coisa ou outra. é nesse dia a dia que está o segredo.

senão vivemos a segunda à espera do sábado.

A sexta de carnaval temendo a quarta de cinzas.

o dia a dia tem que ser da melhor qualidade. o cotidiano, desejável. a rotina, alegre.

ser mãe ajuda muito a treinar. Neste exato momento em que escrevo, por ex, meu faro me diz que é hora de trocar certa fralda. Nada mais cotidiano e oportuno pra exemplificar a questão.

manejar os ânimos é a chave. Lendo o Psicologia I, me marcou a passagem que fala que as expectativas são as maiores ladras de energia. também percebo que elas são o motor das compulsões.

diciplina e pulcritude. Hoje tenho que arrumar a casa, coisa que não gosto. Fazer exercícios físicos, coisa que já gostei, mas hoje tenho resistência.

é engraçado. Penso sobre que diabo interno atrapalha tanto a gente. Se há um desejo genuíno de chegar a algum lugar, por que há tantos impedimentos internos? é engraçado, e mais engraçado cedermos a eles, já que nosso objetivo é tão claro.

PREGUIÇA é um dos meus. Preciso urgentemente resolver esse problema de fadiga física. De pensar nisso, me dá mais preguiça. Como resolver essa equação?

Mobilizar imagens, tenho feito isso. Não conseguia escrever nada, até montar este blog. Aproveitei um hábito desejado e incorporado, além de usar como tempo de silêncio dos afazeres vários do dia. A idéia de "publicar", ainda que seja pra mim, me sugere um diálogo.

VENCER A PREGUIÇA.
Ou melhor, manejar a preguiça. não é uma guerra, é uma intenção.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

15.02

respirando fundo.
percebo uma sensação estranha: vim mesmo pra realizar?
essa sensação de que não vim à toa é delírio de grandeza ou intuição?
revisando partes da biografia: o medíocre nunca me atraiu. Se era feira de ciências, não bastava a maquete. Tinha que ser um sistema solar em movimento, à manivela, com luzes estroboscópicas e um antigo walkie-man com a trilha do Guerra nas Estrelas.
primeiro lugar na feira também com um aparelho de Muller, que reproduzia a origem da vida na Terra.
e o teatro, pra escola inteira
e as representações de classe
e os limites intoleráveis. Até que os limites da montanha, os limites da cidade, geraram claustrofobia.
o concreto de SP passou a ser o novo. E seus limites, o desconhecido. O conhecimento ainda não obtido, as aptidões adormecidas, um desejo louco de ser alguém importante.
Com ele, vim até aqui. Naquela época, o mundo já me roçava transformável, as necessidades do mundo já atizicavam. Mas a vida era longa, eu postergava um pouco, talvez por não gostar de sentir culpa, que é o único sentimento solidário que o sistema oferece.
aqui cheguei, plena de desejos.
às portas de um clube: me pertenceria?
bati em várias portas seletas, passei por testes, passei por todos. conheci pessoas incríveis. não há fim para o que se pode conhecer. não há limite.
até que esbarrei com o limite da minha descrença.
nisso estou, nessa terra árida. tentando entender essa rachadura na terra que separa do oásis possível.
quero água, tenho que eu mesma buscar. Sem a sensação de estar de carona no mundo, de ser convidada do dono da festa. Somos todos, pois, anfitriões?

sábado, 14 de fevereiro de 2009

14.02


Palavra de hoje: PODER.

Poder pessoal
poder transformar
poder ser agente

acreditar que minha ação reverbera
e que minha omissão faz diferença.

Em dia de alinhamento planetário: poder.

Há quem diga que a Era de Aquário começa hoje. Boas vibrações...
Composição: Ragni / Gerome / Macdermot / Galt / Rado / James

When the moon is in the Seventh House
And Jupiter aligns with Mars
Then peace will guide the planets
And love will steer the stars
This is the dawning of the age of Aquarius
The age of Aquarius
Aquarius!
Aquarius!
Harmony and understanding
Sympathy and trust abounding
No more falsehoods or derisions
Golding living dreams of visions
Mystic crystal revalation
And the mind's true liberation
Aquarius!
Aquarius!
When the moon is in the Seventh House
And Jupiter aligns with Mars
Then peace will guide the planets
And love will steer the stars
This is the dawning of the age of Aquarius
The age of Aquarius
Aquarius!
Aquarius!
Harmony and understanding
Sympathy and trust abounding
No more falsehoods or derisions
Golding living dreams of visions
Mystic crystal revalation
And the mind's true liberation
Aquarius!
Aquarius!


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

diários de escola: primeiro dia


Não é o primeiro dia da prática. Mas é do diário.
resolvi publicar, um estímulo a mais pra escrever. Unir duas disciplinas difíceis: a da escrita e da transcendência.
Agora só falta a terceira: as práticas físicas.

Pois bem. Palavra de hoje: acordar. é duro acordar, ir contra a gravidade. Especialmente em dia friozinho. Em dia quente é pior.

"Se para você está bem o verão e o inverno, o dia e a noite, superaste as contradições".

E eu, que prefiro o outono ou primavera, e aquela hora mágica que não é dia nem noite?

ACORDAR. ÂNIMO. ÂNCORA.

Ando muito irregular. Ontem tive idéias para uma peça de teatro, hoje nem quero escrever. Agora começo esse blog, promessa de ser diário. Será? Espero.

ESPERA. Outra palavra do dia

Dia de sexta. Sexta de 13. 13 de lua. E cheia.

Tendência: deixar pra segunda.
Tendência da segunda: ser dia chato ou adiar pra terça.

Percepção do dia: Pra seguir em frente, ir além e só.

diários de escola: afinal, que escola?


não há definição wikipédica precisa.

só sei que é algo antigo.

sou postulante. isso significa que me preparo pra ela, sem saber quando serei chamada.

não importa. o que importa é que agora tenho um motivo maior para aprofundar meu caminho. isso abre o futuro, e já basta.

Mistérios, se acostume. às vezes, a pergunta é melhor que a resposta.

Enquanto houver perguntas, haverá futuro. Haverá descobertas a serem descobertas.
Eu, curiosa de nascença, perguntadeira de primeira, eu, que tanto busco o tangível,...o que é, o que é... vou aprender a CONFIAR.

Luís Milani, um dos mestres de disciplina, escreveu num texto: (gostei, cito abaixo)


La Escuela

"La escuela para mi es básicamente una experiencia que inspira, no es un edificio, no es una institución, no es un grupo humano. La E. es, esencialmente para mi una experiencia humana. Es una experiencia que deja significados y que es atemporal. Y tiene una característica muy particular, distinta a todo lo conocido: cuanto mas nos preguntemos por ella, cuanto mas hablemos de ella, mas nos estaremos alejando de ella misma. Así que dejamos este tema aquí."