respirando fundo.
percebo uma sensação estranha: vim mesmo pra realizar?
essa sensação de que não vim à toa é delírio de grandeza ou intuição?
revisando partes da biografia: o medíocre nunca me atraiu. Se era feira de ciências, não bastava a maquete. Tinha que ser um sistema solar em movimento, à manivela, com luzes estroboscópicas e um antigo walkie-man com a trilha do Guerra nas Estrelas.
primeiro lugar na feira também com um aparelho de Muller, que reproduzia a origem da vida na Terra.
e o teatro, pra escola inteira
e as representações de classe
e os limites intoleráveis. Até que os limites da montanha, os limites da cidade, geraram claustrofobia.
o concreto de SP passou a ser o novo. E seus limites, o desconhecido. O conhecimento ainda não obtido, as aptidões adormecidas, um desejo louco de ser alguém importante.
Com ele, vim até aqui. Naquela época, o mundo já me roçava transformável, as necessidades do mundo já atizicavam. Mas a vida era longa, eu postergava um pouco, talvez por não gostar de sentir culpa, que é o único sentimento solidário que o sistema oferece.
aqui cheguei, plena de desejos.
às portas de um clube: me pertenceria?
bati em várias portas seletas, passei por testes, passei por todos. conheci pessoas incríveis. não há fim para o que se pode conhecer. não há limite.
até que esbarrei com o limite da minha descrença.
nisso estou, nessa terra árida. tentando entender essa rachadura na terra que separa do oásis possível.
quero água, tenho que eu mesma buscar. Sem a sensação de estar de carona no mundo, de ser convidada do dono da festa. Somos todos, pois, anfitriões?
domingo, 15 de fevereiro de 2009
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