Eis outra dificuldade: dizer adeus.
teorema tostines: a insegurança dificulta meu desapego ou sou insegura porque não firmo um caminho, ainda que no começo, sem certezas absolutas?
num mesmo dia, formulo um milhão de diferentes projetos.
Sim, tenho a mente dinâmica. Sim, posso pensar e dar conta de várias coisas, e isso não é um problema em si.
o problema é quando são projetos que marcam uma direção, ou uma escolha que pede certo aprofundamento.
Por exemplo, agora ando em crise com as imagens. comprei uma ilha de edição, e não consigo olhar pra ela. Adoro ver filmes bem editados, imagens tratatas e etc, mas não queros er eu a pessoa a fazer isso.
qual o problema, então?
o problema é que eu não me desapego da necessidade de ser eu a pessoa a fazer isso. Não sou rígida a ponto de não fazer coisas diferentes, ao contrário, vou acumulando, com medo de deixar pra trás alguma coisa e me arrepender depois. Medo de perder o bonde. Medo, em síntese.
Deixei de tocar piano, porque ficou claro que não queria ser pianista. estou, pouco a pouco, definindo coisas. Mas algumas ainda me custam largar.
Que difícil é desapegar das próprias virtudes ou habilidades conquistadas! mesmo que isso represente liberdade para conquistar tantas outras, para se aprofundar em algo querido...é como se ficassem várias janelas abertas, vários livros começados, várias histórias incompletas, várias imagens lançadas sem conclusão. Imagino que isso tome certa energia psicofísica.
A dificuldade em largar está associada à imagem de si, à definição que faço de mim mesma por estas virtudes. Quem é você? Uma cineasta? Uma documentarista? Uma fotógrafa? Uma atual dramaturga, uma futura escritora? Porque são estes os atuais devaneios.
quem sou eu, escrava das virtudes? escrava dos desejos?
justifico tudo isso com a busca da perfeição. Mas tanta coisa junta não me permite aperfeiçoar em nada, mergulhar em nada. É pura expectativa. E pior, ter que vender com isso, me vender, vender meu trabalho.
tenho tido muito prazer dando aulas, trocando. talvez porque nunhca tenha tido nehuma pretensão em ser professora. Até tenho preconceito, acho menor que criar, e acho feio admitir isso. Mas acho, e acho.
Que busca é genuína, que busca vale a pena?
Parece que faço as malas 10 vezes por dia, iniciando viagens em direções diferentes. saio, volto, refaço a mala, saio, volto, a mala cada vez maior, porque tem que dar conta de muita coisa. muito peso na bagagem, muita expectativa em ter que aproveitar tudo.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário